Dia do Jornalista: Impactos positivos e negativos da internet na profissão

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por ALEXANDRE GONÇALVES

Nenhuma outra profissão foi tão impactada pela internet quanto a de jornalista. Não é exagero e pode até já ser um lugar-comum, mas é, com certeza, uma afirmação tão positiva quanto negativa que merece algumas palavras neste 7 de abril, o Dia do Jornalista.

Faça você mesmo

Do lado positivo da internet no jornalismo, do ponto de vista do jornalista, destaque para a possibilidade de empreender por conta própria ou pelo menos colocar em prática projetos pessoais para mostrar seu trabalho de forma independente do veículo em que trabalha.

Veja o caso do SC Inova, o projeto do meu colega jornalista Fabrício Rodrigues que vai de vento em popa na cobertura do setor de tecnologia em Santa Catarina. A viabilidade de um projeto como o do Fabrício ou de tantos outros só é possível graças à internet.

E a internet também abre horizontes para o jornalista explorar outras possibilidades de trabalho. Foi assim que há 15 anos troquei o meio revista pelo meio digital.

Meu primeiro blog, o Coluna Extra, me permitiu aprender um pouco sobre programação e testar ideias, formatos e ferramentas e isso foi fundamental para me tornar um jornalista não só atualizado quanto focado na criação e produção de conteúdo e produtos digitais.

Você não é bom de internet

No lado negativo do impacto da internet no jornalismo está a falta de timing da maioria dos veículos tradicionais que ainda não encontraram um modelo de negócio sustentável e optam por reduzir as redações em vez de investir em qualidade para gerar audiência fiel e receita recorrente.

A corda, neste caso, arrebenta nos colegas considerados mais analógicos que têm a análise de suas competências baseada apenas em se são bons ou não de internet. Pelo lado financeiro, funciona como uma boa desculpa para reduzir a folha. Mas “esquecem” de considerar as habilidades que realmente importam (apuração, texto, vivência…), o que influencia negativamente na qualidade final do produto.

E isso abre caminho para a “juvenilização” das redações com a contratação  de profissionais recém-saídos da faculdade, nativos digitais, bons de internet (leia-se: redes sociais), mas ainda construindo suas personalidades e sem a vivência profissional que é tão necessária nesses tempos estranhos que vivemos.

A soma dos perfis de “tubarões e focas” seria o ideal para o veículo e para o desenvolvimento de ambos. E seria mais recomendado do que assimilar “a culpa é do estagiário” como uma piada engraçada.

Quantos especialistas em jornalismo…

Mas o maior impacto da internet no jornalismo vem das redes sociais. Tem um lado bom, claro. É importante ter a participação efetiva, quase instantânea, do público, o que sempre pode enriquecer uma reportagem e até gerar novas pautas, outras abordagens.

Mas invariavelmente, desde sempre, é incrível a quantidade de especialistas em jornalismo nas redes sociais querendo ensinar o jornalista a fazer seu trabalho. São tantos quanto os especialistas em engenharia de trânsito.

Críticas são sempre bem-vindas. E o jornalista precisa estar sempre aberto à elas. Entendo que os mais veteranos, da época das cartas para redação, podem até estranhar, mas é assim que funciona. A vigilância do leitor, quando feita honestamente e não com terceiras intenções, é muito benéfica para ajustes de rotas e até de pontos de vista.

O problema é que das redes sociais – antes mesmo dos ataques desqualificantes e de má fé que vemos hoje – sempre surgiram comentários que mais desmereciam o jornalista e o jornalismo do que ofereciam caminhos para uma melhor cobertura sobre um determinado fato. Dá deprê e desanima pensar que aquilo que é produzido seja sempre tão desqualificado sem base alguma.

Não dá para se iludir que um dia o cenário será outro. Nós, os jornalistas, estaremos sempre na mira dos ““““““““““especialistas””””””””””. E o antídoto para isso, mais do que entrar no jogo das #hashtags, é fazer um jornalismo cada vez melhor, muito mais responsável e com mais qualidade na apuração e produção. Pode (e até deve) dar margem para discordâncias, mas jamais para desmerecer uma profissão que sempre foi e sempre será essencial para toda a sociedade.

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