“Era muita informação ao mesmo tempo”

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As redes sociais romperam barreiras e aproximaram o público de quem produz conteúdo em qualquer mídia. E junto com isso, temos milhares e milhares e milhares e milhares de especialistas em comunicação e jornalismo numa eterna vigilância sobre o que e como os jornalistas trabalham. A vigilância invariavelmente vem na forma de comentários que apenas ajudam a extravasar raiva, rancor, frustrações e posicionamentos de todo o tipo e por isso mesmo pouco contribuem para que se faça correções e ajustes em prol da melhor qualidade no que é produzido.

Do outro lado, diante desta “panela de pressão”, os jornalistas precisam também estar vigilantes. Aliás, duplamente vigilantes. Primeiro, para executar seu trabalho com ética, correção e objetividade e mais aquilo tudo que pede o bom jornalismo. E segundo, porque tem que saber lidar com o aquilo que lê nas redes sociais e, principalmente, saber quando e como precisa responder um comentário de um leitor. E como ter vivência no uso das redes sociais é cada vez mais importante.

Uma resposta mal formulada ajuda a queimar não só o trabalho do jornalista, mas também joga gasolina na fogueira onde os “especialistas” das redes sociais colocam diariamente a profissão – já tão combalida – como um todo. E ganhamos mais um exemplo de como não fazer nesta quarta-feira (26).

A @marisamagal, usuária do Twitter, postou que a comentarista política Eliane Cantanhêde, não havia citado os nomes de Aécio Neves e Sérgio Guerra em seu comentário na GloboNews sobre a acareação na CPI da Petrobras, ao contrário do Jornal Nacional. Eliane respondeu primeiro que eram programas diferentes. A usuária do Twitter disse entender, mas que tinha soado um pouco tendencioso não citar os nomes. E aí, como resposta, Eliane escreveu o tweet que ganhou as redes sociais e que mostra, na minha avaliação, a falta de tato da comentarista com a rede social.

Responder não foi o problema. O problema foi que ele escreveu:

era muita informação ao mesmo tempo e acabei passando batido, mas vou tentar encaixar amanhã em algum comentário.

Rapidamente o tweet ganhou prints e se espalhou pelo Facebook e no Twitter, seguindo a conversa, gerou mais um tanto de comentários.

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O episódio me fez lembrar do livro da Rosana Hermann (“Um passarinho me contou”), que dá uma aula sobre como ter vivência em redes sociais é fundamental para não cometer “tiros no pé” como esse da Eliane. Lembrei também de “Chef”, em que o protagonista do filme não entende a dimensão que um tweet “torto” pode ter e arruma a maior confusão ao postar um “recado” para um crítico de gastronomia. Os dois estão recomendados neste post do Primeiro Digital.

Ok, a Eliane pode ter tido a melhor das intenções ao interagir com a @marisamagal, mas será que contou até 10? Será que pensou no impacto que a resposta (sinceramente, desculpa muito ruim)? No mínimo, revelou um erro pela relevância do tema e pela própria trajetória profissional de Eliane. Será que ela refletiu se era mesmo necessário se justificar?  Ou quem sabe não seria melhor se antecipar à crítica e “encaixar” no Twitter ou em outros canais (no Estadão, onde ela também trabalha) um comentário mais completo, com mais informação?

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