Sobre as redes sociais na semana mais quente do FlaFlu político

Padrão

O acirramento do FlaFlu político nos últimos dias com as manifestações, a nomeação de Lula, os grampos e as liminares esquentou as coisas ainda mais nas redes sociais. Neste turbilhão de postagens no Facebook e no Twitter, qual tem sido o valor de tudo o que se publica nestes canais como ingredientes para reportagens?

Pelo o que pude acompanhar, quase nenhum. O FlaFlu pegando fogo nas redes sociais é explorado (e muito bem explorado) pelos veículos para distribuição de conteúdo e geração de tráfego. “Redes sociais como fonte de conteúdo colaborativo” não tem sido um mantra neste caso. Risco de “tomar partido”? Na geração de pautas, o de sempre: a graça do “Veja os memes” ou a futilidade do “Veja fotos dos famosos nas manifestações“.

Fora isso, um ou outro destaque baseado no monitoramento de menções, uma ou outra repercussão sobre polêmicas como a foto do casal com a babá, uma ou outra reportagem repercutindo opinião de algum especialista. Ou o aproveitamento de comentários específicos como a repercussão de uma capa ou de um editorial. Aliás, crítica à mídia é o que não falta nas redes sociais. Há muitas críticas coerentes e que devem ser feitas (o momento pede) e outras menos qualificadas da turma que (pensa que) é especialista em jornalismo.

A guerra das liminares

O episódio das liminares contra a posse de Lula como ministro é um caso à parte. Quando a primeira foi expedida, o Facebook virou fonte por causa dos posts anti-Dilma publicados pelo juiz que concedeu a liminar. A falta de bom senso dele levantou boas discussões inclusive sobre o uso de redes sociais por pessoas com funções públicas. Juiz não deve ser e parecer imparcial?

Depois, a questão das liminares virou o “desafio do F5” com os veículos acompanhando as novas decisões e o público das redes sociais tentando não se perder com as atualizações. Ficou um tanto quanto confuso em alguns momentos com os compartilhamentos frenéticos a cada nova notícia, além daqueles usuários retardatários compartilhando decisões anteriores como sendo as mais recentes.

Do que eu vi, por parte dos veículos, faltou um capricho maior na publicação das chamadas de atualização. Alguns optaram por usar uma vinheta “urgente”, mas achei em geral os títulos muito parecidos e as tags e imagens pouco informativas. Os menos desavisados realmente poderiam perder a “conta”.

As rádios e a dependência do WhatsApp

Padrão

O bloqueio do WhatsApp no Brasil por 48h, seguindo determinação judicial, a partir da 0h desta quinta-feira (17), causou alvoroço entre os usuários do aplicativo. Como brinquei no Facebook, até parece decisão de juiz que é fã de Star Wars, mas só vai assistir ao filme, que estreia hoje, no fim de semana e quer evitar spoiler.

Mas a verdade é que o WhatsApp ganhou terreno entre os veículos de comunicação como ferramenta de participação do público. E o rádio é disparado o que mais utiliza o aplicativo. E faz bem. A agilidade de um tem tudo a a ver com a do outro. Mas conforme foram adotando o WhatsApp, ainda mais depois do aplicativo ganhar versão desktop, muitas emissoras praticamente abandonaram canais próprios de participação “em tempo real” do ouvindo. Houve a fase do telefone, do e-mail, do chat, do Mural, do Twitter, do Facebook e agora do WhatsApp.

Continue lendo

Jornalismo de repercussão

Padrão

Revirando a papelada aqui em casa encontrei uma anotação de 2014, quando ainda estava no Grupo RIC, com algumas ideias sobre a proposta de posicionamento do portal RIC Mais e do site do Notícias do Dia. Minha aposta era posicionar e diferenciar os canais sob o guarda-chuva do “jornalismo de repercussão”.

A inspiração veio da participação dos leitores nas áreas de comentários e na ferramenta de envio de conteúdo colaborativo – que também recebia mensagens com opinião também para outros veículos do grupo. Iríamos valorizar o público que já demonstrava apreço e fidelidade pelos canais da RIC.

Era uma ideia, na minha opinião, interessante, coerente e adequada para o momento. O Grupo RIC estava ainda construindo sua presença digital e longe da estrutura do principal concorrente, o Grupo RBS com o site do Diário Catarinense e com o g1.

Pensei até no mote de uma possível campanha:

A gente informa, você comenta.

Você comenta, a gente curte.

RIC Mais e ND Online:

Informação com repercussão.

Minha proposta não avançou e já não estou mais no Grupo RIC desde março. E hoje, quando reencontrei minhas anotações, fiquei pensando se ainda apostaria neste mote do “jornalismo de repercussão”. Sinceramente, gosto da ideia. Ainda me parece um caminho como diferencial.

Mas esta é uma visão do lado de cá do balcão. Por tudo o que se vem discutindo atualmente sobre comentários, a ideia está distante do comportamento do público de internet. A gente talvez não curtisse tanto. Seria preciso “refundar” a participação do público para que haja uma compreensão do importante papel que ele tem no jornalismo digital. Sem isso, nada feito. Melhor abandonar a ideia.

GloboEsporte.com cria “mapa de curtidas” dos times brasileiros no Facebook

Padrão

Em parceria com o Facebook, o GloboEsporte.com está lançando um mapa que aponta quais os times tem mais curtidas na rede social criada por Mark Zuckerberg. Conforme o portal de esportes do Globo.com, o levantamento analisou dados das páginas dos clubes que receberam mais curtidas nas cidades de todo o Brasil. “É um retrato de curtidas – não uma pesquisa de torcida. Mas traz uma visão interessante sobre a distribuição geográfica dos times”, escreveu o jornalista Gustavo Poli, executivo do portal, em seu perfil no Facebook. E como o Poli disse também, deu trabalho.

Como está na área de Perguntas e Respostas do Mapa, “uma equipe de cientistas de dados do Facebook, localizada em Menlo Park, Califórnia, Estados Unidos, reuniu em maio 54 milhões de ‘curtidas’ (like, no original, em inglês) — ícone acionado pelos usuários da rede social às páginas oficiais de 43 clubes brasileiros. A empresa também forneceu o dado de localização, exibido no Facebook no item “cidade atual”. As informações permitem identificar quais são os municípios e estados com o maior percentual de simpatizantes a um ou outro determinado clube. É importante ressaltar: não foram partilhadas informações pessoais, como nome, idade, gênero, entre outras atividades na rede” (saiba mais).

No ranking total, o Flamengo lideram o mapa em mais cidades, seguido pelo Corinthians. Veja a lista.

Flamengo: 2.639 cidades
Corinthians: 1.489 cidades
Grêmio: 644 cidades
Cruzeiro: 561 cidades
Bahia: 81 cidades
Sport: 53 cidades
Atlético-PR: 27 cidades
Internacional: 16 cidades
Outros: 55 cidades

Com o uso de cores, o mapa mostra a incidência dos times por estado. E passando o mouse sobre o mapa é possível ver dados dos quatro primeiros colocados por cidade. Mas se quiser aprofundar a navegação, o torcedor por ainda ver os dados totais por cidade ou por time, escrevendo no campo “Escolha uma equipe e/ou uma cidade e veja qual sua influência no Brasil”.

Grande sacada do GloboEsporte.com. Ficou show de bola. Conteúdo bem produzido, diferente, informa, diveta e mexe com o público, com a rivalidade das torcidas. Pena que meu time não lidera o ranking na minha cidade…Mas nada que um esforço extra dos torcedores não resolva. 🙂

Acesse o mapa e divirta-se!

Screenshot_4

 

“Era muita informação ao mesmo tempo”

Padrão

As redes sociais romperam barreiras e aproximaram o público de quem produz conteúdo em qualquer mídia. E junto com isso, temos milhares e milhares e milhares e milhares de especialistas em comunicação e jornalismo numa eterna vigilância sobre o que e como os jornalistas trabalham. A vigilância invariavelmente vem na forma de comentários que apenas ajudam a extravasar raiva, rancor, frustrações e posicionamentos de todo o tipo e por isso mesmo pouco contribuem para que se faça correções e ajustes em prol da melhor qualidade no que é produzido.

Do outro lado, diante desta “panela de pressão”, os jornalistas precisam também estar vigilantes. Aliás, duplamente vigilantes. Primeiro, para executar seu trabalho com ética, correção e objetividade e mais aquilo tudo que pede o bom jornalismo. E segundo, porque tem que saber lidar com o aquilo que lê nas redes sociais e, principalmente, saber quando e como precisa responder um comentário de um leitor. E como ter vivência no uso das redes sociais é cada vez mais importante.

Uma resposta mal formulada ajuda a queimar não só o trabalho do jornalista, mas também joga gasolina na fogueira onde os “especialistas” das redes sociais colocam diariamente a profissão – já tão combalida – como um todo. E ganhamos mais um exemplo de como não fazer nesta quarta-feira (26).

A @marisamagal, usuária do Twitter, postou que a comentarista política Eliane Cantanhêde, não havia citado os nomes de Aécio Neves e Sérgio Guerra em seu comentário na GloboNews sobre a acareação na CPI da Petrobras, ao contrário do Jornal Nacional. Eliane respondeu primeiro que eram programas diferentes. A usuária do Twitter disse entender, mas que tinha soado um pouco tendencioso não citar os nomes. E aí, como resposta, Eliane escreveu o tweet que ganhou as redes sociais e que mostra, na minha avaliação, a falta de tato da comentarista com a rede social.

Responder não foi o problema. O problema foi que ele escreveu:

era muita informação ao mesmo tempo e acabei passando batido, mas vou tentar encaixar amanhã em algum comentário.

Rapidamente o tweet ganhou prints e se espalhou pelo Facebook e no Twitter, seguindo a conversa, gerou mais um tanto de comentários.

Screenshot_30

 

O episódio me fez lembrar do livro da Rosana Hermann (“Um passarinho me contou”), que dá uma aula sobre como ter vivência em redes sociais é fundamental para não cometer “tiros no pé” como esse da Eliane. Lembrei também de “Chef”, em que o protagonista do filme não entende a dimensão que um tweet “torto” pode ter e arruma a maior confusão ao postar um “recado” para um crítico de gastronomia. Os dois estão recomendados neste post do Primeiro Digital.

Ok, a Eliane pode ter tido a melhor das intenções ao interagir com a @marisamagal, mas será que contou até 10? Será que pensou no impacto que a resposta (sinceramente, desculpa muito ruim)? No mínimo, revelou um erro pela relevância do tema e pela própria trajetória profissional de Eliane. Será que ela refletiu se era mesmo necessário se justificar?  Ou quem sabe não seria melhor se antecipar à crítica e “encaixar” no Twitter ou em outros canais (no Estadão, onde ela também trabalha) um comentário mais completo, com mais informação?

Um filme para abrir o apetite, inspirar fãs de food truck e aprender sobre redes sociais

Vídeo

Chef, dirigido e estrelado por Jon Favreau, é um filme que pega o espectador pelo estômago ao mostrar a trajetória de um chef de cozinha que cai em desgraça por conta de críticas e de desentendimentos com o sócio, mas dá a volta por cima ao optar por recomeçar com um food truck de sanduíche cubano.

Para quem gosta de programas de culinária ou é dono de um food truck, Chef, que pode ser assistido no NetFlix, deve estar no top 3 de filmes favoritos. Se bobear até no topo da lista. O filme é realmente muito bom, envolvente, divertido. Diretor e produtor de filmes dos estúdios da Marvel, Favreau está ótimo no papel e reuniu uma turma boa para acompanhá-lo em papeis secundários (Dustin Hoffman, Robert Downey Jr, Scarlett Johansson…).

Mas o que Chef está fazendo aqui no Primeiro Digital?

Continue lendo