A Globo ainda leva bola nas costas do “amigo internauta”

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Futebol é bola rolando. Mas quando a Globo trata o esporte como entretenimento e não como esporte, o risco de algo dar errado é sempre maior. E foi o que ocorreu neste domingo (12) na escolha  do craque do jogo entre Santos e Vasco.

O time santista venceu por 3 a 0 e o “amigo internauta” votou em massa no goleiro do Vasco, Sidão, de zoeira, obviamente. Seria mais um penduricalho como são as informações do Cartola, irritantemente repetidos a exaustão.

O problema foi a Globo levar a sério o resultado da votação a sério e entregar um troféu para o goleiro vascaíno. Momento constrangedor para ele e para repórter Júlia Guimarães que teve que fazer a entrega.

Nem os comentaristas que estava na transmissão gostaram da decisão. Após o jogo, Casagrande criticou a “premiação” e pediu respeito ao Sidão, elogiado por sua postura educada no momento em que recebeu o troféu. Mais tarde, a própria Globo divulgou nota reconhecendo o vacilo e anunciando (meia) mudança no formato.

A situação como um todo é um erro grotesco da Globo pelo constrangimento causado. Mas também porque mostra mais uma vez um comportamento “juvenil” da emissora quando pede a participação do seu “amigo internauta”. Qualquer ação de interatividade ou de participação direta do público é incontrolável e está sempre sujeita à ataques orquestrados para favorecer, desqualificar, fazer graça ou criar uma informação falsa.

O ataque deste domingo partiu do perfil no Twitter do site de humor Desimpedidos.

Mas a própria experiência da Globo com o Big Brother já devia ter deixa a emissora mais escolada com os chamados mutirões, quando fãs fazem uma grande mobilização para votar, votar, votar, votar, votar e votar em seus favoritos.

Esse erro da Globo sobre querer ter domínio sobre a participação do público já havia sido detectado também na série O Brasil que eu Quero, lembra? Escrevi no Primeiro Digital:

Os poucos vídeos enviados pelo G1 estão longe de seguir o roteiro proposto pela Globo. Ok, o celular está deitado (na horizontal), mas o cenário não é o ponto turístico que representa a cidade. O cenário é o lixão, a obra inacabada, a estrada esburacada… Era isso que a Globo queria mostrar?

Do episódio Sidão fica a lição para a Globo tratar a interatividade com mais cuidado e calcular melhor as chances de dar errado e do que isso pode impactar negativamente em um dos seus principais produtos. E também lembrar de ter bom senso para manter o respeito aos atletas e aos seus profissionais (foi uma exposição desnecessária da repórter) .


Atualização em 13 de maio, às 9h20:

Clubes como Palmeiras e São Paulo criticaram a ação da Globo em suas contas no Twitter.

O Vasco divulgou nota também questionando a entrega do troféu e prestando solidariedade ao goleiro Sidão:

O Clube está convicto de que ele poderia ter sido perfeitamente evitado. A partir deste caso didático, a própria Rede Globo já anunciou que reverá os critérios de votação durante as partidas de futebol, uma maneira de evitar a repetição de situações desrespeitosas a outros profissionais e a depreciação de um importante produto de suas transmissões. (…)

Manifestamos nossa solidariedade ao atleta Sidão e aproveitamos ainda para agradecer a demonstração de apoio de diversos profissionais, com destaque para o comentarista Walter Casagrande Jr., que reconheceu o deslize, mesmo estando presente na citada transmissão.

Leia a nota completa.

 

E não vou estranhar se os jogadores passarem a tratar a Globo de um jeito diferente por causa da “brincadeira”.

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