Um filme para abrir o apetite, inspirar fãs de food truck e aprender sobre redes sociais

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Chef, dirigido e estrelado por Jon Favreau, é um filme que pega o espectador pelo estômago ao mostrar a trajetória de um chef de cozinha que cai em desgraça por conta de críticas e de desentendimentos com o sócio, mas dá a volta por cima ao optar por recomeçar com um food truck de sanduíche cubano.

Para quem gosta de programas de culinária ou é dono de um food truck, Chef, que pode ser assistido no NetFlix, deve estar no top 3 de filmes favoritos. Se bobear até no topo da lista. O filme é realmente muito bom, envolvente, divertido. Diretor e produtor de filmes dos estúdios da Marvel, Favreau está ótimo no papel e reuniu uma turma boa para acompanhá-lo em papeis secundários (Dustin Hoffman, Robert Downey Jr, Scarlett Johansson…).

Mas o que Chef está fazendo aqui no Primeiro Digital?

Se viu o trailer, no trecho 1m, o chef está postando uma mensagem no Twitter, “endereçada” ao crítico que detonou seu cardápio na noite anterior. O endereçada entre aspas porque ele não tem a dimensão de que não está falando só para o crítico, mas sim para toda a timeline do Twitter. É uma aula sobre o que a falta de vivência na rede social pode causar. Os subchefes, como mostra o trailer, até tentam impedir a “cagada”, mas sem sucesso.

O legal no filme é que Favreau, também autor do roteiro, explora bastante a questão das redes sociais no fracasso e na retomada da carreira e do prestígio. Ele até vira “meme” ao se envolver numa confusão cara a cara com seu crítico algoz. Mas amparado pelo seu “consultor” particular, o filho de 10 anos, o chef consegue enfim se entender com o universo digital e até tirar proveito do melhor uso dos canais de relacionamento com o público.

Ao assistir Chef, além de ficar com fome e correr para a cozinha após os créditos, lembrei de Um passarinho me contou, livro em que Rosana Hermann, pioneira na internet brasileiro com seu Querido Leitor e outras inicitivas, conta sua trajetória como usuária do Twitter. Reproduzo abaixo o texto que publiquei em 22 de julho de 2011 sobre o livro no Coluna Extra e que reforça o que disse mais acima sobre Chef: só entrar numa rede social e sair publicando não resolve. É preciso ter vivência para alcançar o resultado que você espera sem riscos de pagar mico e queimar o filme.

RT @rosana “Um passarinho de contou”

Terminei nesta semana a leitura de “Um passarinho me contou – Relatos de uma viciada em Twitter” (Panda Books, 152 páginas – compre na Livraria Cultura nas versões impressa ou digital), de Rosana Hermann, desde 1995 na internet com o Querido Leitor, referência na blogosfera brasileira.

O livro traz inúmeras dicas sobre o microblog, mas está longe de ser um simples manual de instruções. É mais do que isso. Rosana, como diz o subtítulo do livro, faz um relato de toda a sua trajetória como usuária do site, destacando situações curiosas, engraçadas e inusitadas que ela viveu ou presenciou nestes cinco anos de existência do Twitter.

Sendo usuário do site desde 2007, muito do que li no livro não chega a ser novidade, mas a forma como Rosana escreve (sempre muito bem) acaba ajudando a ter novos insights sobre como o Twitter está sendo usado. Livros como “Um passarinho me contou” servem principalmente para ressaltar que não basta saber usar, é preciso vivenciar um site antes de usá-lo.

Muitos dos erros que já vi no Twitter são fruto disso, da falta de vivência no ambiente do microblog. Ou seja, é importante que assim que criar seu perfil no Twitter, antes de começar a publicar seus tweets, navegue por lá por um bom tempo. Dedique boas horas para acessar perfis de referência (não se iluda com as celebridades), ver como as pessoas escrevem e como interagem entre si. Isto fará diferença. Afinal, você (com seu site, seu blog, seu programa de TV, seu candidato, sua empresa…) está numa conversa pública onde os tiros podem sair pela culatra tão rápido quando escrever um post de 140 caracteres.

Sobre a falta de vivência, destaque um trecho escrito pela Rosana em “Um passarinho me contou”:

Para um frequentador do Twitter, por exemplo, é fácil perceber quem não está usando o serviço de forma correta; quem chega sem entender para o que serve e como funciona; ou, numa analogia com o mundo animal, é mais ou menos da mesma forma que um cão percebe quem tem ou não tem medo de cachorro.

As pessoas que não se sentem à vontade no Twitter, que não têm vivência ou familiaridade, comportam-se de forma artificial.

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