As rádios e a dependência do WhatsApp

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O bloqueio do WhatsApp no Brasil por 48h, seguindo determinação judicial, a partir da 0h desta quinta-feira (17), causou alvoroço entre os usuários do aplicativo. Como brinquei no Facebook, até parece decisão de juiz que é fã de Star Wars, mas só vai assistir ao filme, que estreia hoje, no fim de semana e quer evitar spoiler.

Mas a verdade é que o WhatsApp ganhou terreno entre os veículos de comunicação como ferramenta de participação do público. E o rádio é disparado o que mais utiliza o aplicativo. E faz bem. A agilidade de um tem tudo a a ver com a do outro. Mas conforme foram adotando o WhatsApp, ainda mais depois do aplicativo ganhar versão desktop, muitas emissoras praticamente abandonaram canais próprios de participação “em tempo real” do ouvindo. Houve a fase do telefone, do e-mail, do chat, do Mural, do Twitter, do Facebook e agora do WhatsApp.

Exemplo disso é a CBN-Diário, rádio do Grupo RBS em Florianópolis, que lançou seu novo site na sexta-feira passada sem nenhum canal de participação. A emissora abandonou a sala de chat que tinha até nome e era muito usada principalmente pelo âncora Mário Motta no programa Notícias da Manhã. Virou inclusive marca registrada do programa a participação dos chamados “ouvinternautas”.

Na estreia do novo site, ao falar da chegada da nova plataforma, Mário Motta explicou que a interatividade seria via WhatsApp, mas que ouvintes também poderiam interagir publicando comentários na página da emissora no Facebook. Ou seja, a CBN-Diário continuará na dependência de terceiros em vez de ter sua própria plataforma de participação do ouvinte.

Outra emissora de Florianópolis, a rádio Guarujá, também aderiu ao uso do WhatsApp, especialmente na sua programação esportiva. Nos programas ao longo do dia, os apresentadores dedicam um bom tempo para a leitura das mensagens enviadas pelos ouvintes, algumas que não acrescentam nada ao que está sendo noticiado ou discutido.

Nas jornadas esportivas, o momento WhatsApp tem vinheta e até patrocinador. Como o site da emissora é estática, usada para divulgar os links das redes sociais e o player do streaming, veremos como será o plano B nestes dois dias sem “zap-zap”.

E quem sabe nesta “pausa” forçada no uso do WhatsApp, as emissoras reflitam sobre a importância de manter seu site como seu principal canal digital. É lá, no seu endereço e não só no endereço ou aplicativo de terceiros, que a rádio deve manter canais de participação do ouvinte. Não é pecado manter chat ou mural em site. Pecado é ficar na mão por causa de problemas de terceiros.

Sobre o bloqueio do WhatsApp, leia:

Justiça determina bloqueio do WhatsApp em todo o Brasil por 48 horas (Folha S.Paulo)

O que já sabemos sobre o bloqueio do WhatsApp no Brasil (José Vitor Lopes, advogado especialista em direito digital)

Como contornar o bloqueio do WhatsApp (ServerDo.In)

 

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