Monitoramento das redes sociais poderia ter salvo Glória Pires de vexame na transmissão do #Oscar2016

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Por Linete Martins*

“Só morre quem está ao vivo”. Gosto muito dessa frase do Ernesto Paglia, repórter da TV Globo, que li um tempão atrás em um artigo com referências às coberturas ao vivo, publicado em revista sobre a nossa profissão, o Jornalismo.Muitaa responsabilidade para profissionais dessa área que, além do conteúdo, estão submetidos ao julgamento público sobre sua imagem, voz, roupa, numa sociedade intensamente midiática e com respostas instantâneas, para o bem e para o mal.

Nesta noite de domingo, Glória Pires, atriz maravilhosa, foi o exemplo clássico de como a imagem de alguém com uma carreira consolidada pode sofrer alguns arranhões imediatos por deslizes ao vivo – principalmente se o fato é algo como o Oscar, com milhões de pessoas ligadas na programação. Seu ar blasé, seus comentários monossilábicos – “bacana”, “interessante”, “merecido” – sobre os filmes que viu e alguns comentários do tipo “não vi”, “não posso opinar”, “não sou boa de premonição” surpreenderam. Twitter bombou, Facebook também. Memes engraçadíssimos tomaram conta das redes junto com perguntas como: “O que ela está fazendo ali”?

Tudo isso que falei, quem assistiu já sabe. O que não entendo é como uma TV com o porte da Globo e com tanta tecnologia disponível, possibilidades de pesquisas qualitativas ao vivo para mensurar a reação do público diante de uma programação (além da observação da repercussão na internet), deixaram a atriz ficar exposta por tanto tempo, nessa saia justa.

Nos primeiros sinais nas redes sociais que o desempenho dela como comentarista estava no mínimo estranho, poderia ter havido uma reorientação de estúdio e um desenvolvimento melhor da cobertura. Lógico, no que pudesse ser resolvido na hora, já que o anterior não daria mais tempo – a atriz ter realmente assistido aos concorrentes já que ela, com sinceridade, admitiu que não tinha visto muitos dos filmes.

Deu pra perceber, a partir de determinado momento, que a apresentadora Maria Beltrão jogava deixas para Glória Pires e a coisa deu uma melhorada (mas já era tarde). Faltou mesmo preparação desse momento e o aproveitamento da presença da atriz brasileira de uma maneira mais adequada. Evidente que ela não é uma comentarista em potencial. Mas poderia, por exemplo, ter falado com encantamento sobre a noite que pisou no tapete vermelho, ao lado de Patrícia Pillar, quando “O Quatrilho”, dirigido por Fabio Barreto, concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.Isso foi em 1996. Poderia ser um molho, ao menos.

Nem sempre é possível gerenciar uma crise ao vivo, encontrar saídas. Mas, nos primeiros sinais, dá pra pensar em alternativas. Não entendi por que não fizeram isso com habilidade num momento tão importante e também por que não levaram alguém com realmente mais conhecimento sobre a produção cinematográfica.

*Linete Martins é jornalista e consultora de comunicação (e-mail, Facebook e Twitter).