segunda-feira, maio 20, 2024
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Jornalistas do site Fato Online entram em greve

O tanto que se discute modelo de negócios e saídas para a crise no jornalismo e quando surge uma nova iniciativa que agrega profissionais de reconhecida competência, todos comemoram. Foi assim com o Fato Online, lançado em Brasília em março de 2015 com foco na cobertura política. Mas ao que parece, Fato Online não passou de uma aventura. Ontem, perto de completar seu primeiro ano, os jornalistas do site entraram em greve por conta dos problemas financeiros acumulados desde o final de 2015 e que provocou atraso no pagamentos de salários, incluindo o 13º.

O jornalista Rudolfo Lago, um dos colunistas de Fato Online, escreveu um relato em seu Facebook detalhando o cenário que culminou na decisão dos profissionais – mais de 100 – a decidirem pela greve. Reproduzo o post de Lago abaixo.

Dia 29 de fevereiro… Talvez precisasse mesmo ser num dia bissexto para bem marcar o fim de um sonho, o fim de uma ilusão…

Por volta das 18h deste dia 29 de fevereiro, os jornalistas do Fato Online, por unanimidade, resolveram entrar em greve por tempo indeterminado. É o fim de um drama que estamos vivendo desde o final de novembro. Neste momento, todos nós estamos com quatro salários atrasados – o salário de dezembro, o 13º salário, o salário de janeiro e o salário de fevereiro (que embora possa ser pago até o o quinto dia útil de março, já fomos informados de que não será pago). Alguns já não recebem desde novembro.
Antes de entrarmos em greve, recebemos duas contrapropostas que vão aos píncaros do absurdo. Na primeira, nos sugeriram virarmos “sócios cotistas” do Fato Online: pela proposta, aceitaríamos deixar pra lá o passivo que temos e passaríamos a receber como “pro labore” dois terços dos salários previstos nos nossos contratos a partir daí e possível participação nos lucros. Mesmo assim, não seria uma proposta para todos, porque o empresário, Sílvio Assis, admitia que tinha errado na gestão da empresa, tinha dado um “passo maior que as pernas” e precisaria agora fazer uma “reestruturação” para tornar a empresa mais “realista”. Ou seja, estávamos sendo convidados a assumir uma dívida que não criamos. E devíamos ainda ficar felizes por isso.

Na segunda proposta, não viraríamos sócios, e o passivo seria pago em “dez vezes”, a partir do dia 20 de março!
Evidentemente, as duas propostas foram rejeitadas por unanimidade. E entramos em greve também com os votos unânimes da assembleia presente.

Neste momento, já verificamos que nossos emails pessoais foram bloqueados, assim como o acesso ao publicador do site. Ou seja: a empresa já tomou as providências técnicas para negar o nosso acesso, estabelecendo, apenas algumas horas depois da assembleia, uma postura beligerante, o que nos deixa com a sensação de que, provavelmente, só resolveremos nossas pendências na justiça.

Somos mais de cem profissionais nessa situação…
Penso que o Fato Online se torna um dos mais – senão o mais – veementes exemplos da atual crise do jornalismo. Alguns dos melhores jornalistas do país aceitaram sem maiores questionamentos o convite de um empresário desconhecido para tocar um projeto. Da parte que coube a esses jornalistas, um sucesso. Conquistamos quatro prêmios de jornalismo no ano passado. O site Comunique-se considerou, no final do ano, o Fato Online o principal acontecimento jornalístico de 2015. Eu, Andrei Meireles e Helena Chagas entramos na lista dos 300 finalistas na eleição dos jornalistas mais respeitados do país do site Jornalistas & Cia. É de Lúcio Vaz o furo de que Dilma e Temer fizeram decretos de suplementação orçamentária sem autorização do Congresso, base do pedido de impeachment.
Ou seja, da nossa parte, o projeto que tocamos desde março de 2015 é um sucesso. Em termos de gestão empresarial, porém, é um fracasso. Um “passo maior que as pernas” na definição do próprio empresário – ou seja, megalômano. A alguns, sempre incomodou a falta de uma discussão mais aprofundada de modelo de negócios e de modelo de jornalismo, que nunca foi feita.

Chega, assim, ao fim esse sonho, essa ilusão. A todos os que acompanham o Fato Online, informo que, a partir de agora, toda a sua produção de conteúdo não passa de material comprado da Agência Estado. Estamos todos – sem exceção – em greve. Quem achar que vale a pena ler ali conteúdo que não é próprio, pode seguir. Os demais, provavelmente entenderão logo que vale mais ir à fonte primária.

O jornalismo vive uma grave crise. É preciso refletir muito sobre ela.

No mais, somos uma centena de profissionais em busca de emprego. Quem quiser nossos currículos…

Veja mais sobre a greve no perfil de Rudolfo Lago no Facebook.

Alexandre Gonçalveshttp://www.primeirodigital.com.br/alexandregoncalves
Jornalista, especializado em produção e gestão de conteúdo digital (portais, sites, blogs, e-books, redes sociais e e-mails) e na criação e coordenação de produtos digitais, atuando no Jornalismo Digital e no Marketing de Conteúdo.
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