Sobre as redes sociais na semana mais quente do FlaFlu político

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O acirramento do FlaFlu político nos últimos dias com as manifestações, a nomeação de Lula, os grampos e as liminares esquentou as coisas ainda mais nas redes sociais. Neste turbilhão de postagens no Facebook e no Twitter, qual tem sido o valor de tudo o que se publica nestes canais como ingredientes para reportagens?

Pelo o que pude acompanhar, quase nenhum. O FlaFlu pegando fogo nas redes sociais é explorado (e muito bem explorado) pelos veículos para distribuição de conteúdo e geração de tráfego. “Redes sociais como fonte de conteúdo colaborativo” não tem sido um mantra neste caso. Risco de “tomar partido”? Na geração de pautas, o de sempre: a graça do “Veja os memes” ou a futilidade do “Veja fotos dos famosos nas manifestações“.

Fora isso, um ou outro destaque baseado no monitoramento de menções, uma ou outra repercussão sobre polêmicas como a foto do casal com a babá, uma ou outra reportagem repercutindo opinião de algum especialista. Ou o aproveitamento de comentários específicos como a repercussão de uma capa ou de um editorial. Aliás, crítica à mídia é o que não falta nas redes sociais. Há muitas críticas coerentes e que devem ser feitas (o momento pede) e outras menos qualificadas da turma que (pensa que) é especialista em jornalismo.

A guerra das liminares

O episódio das liminares contra a posse de Lula como ministro é um caso à parte. Quando a primeira foi expedida, o Facebook virou fonte por causa dos posts anti-Dilma publicados pelo juiz que concedeu a liminar. A falta de bom senso dele levantou boas discussões inclusive sobre o uso de redes sociais por pessoas com funções públicas. Juiz não deve ser e parecer imparcial?

Depois, a questão das liminares virou o “desafio do F5” com os veículos acompanhando as novas decisões e o público das redes sociais tentando não se perder com as atualizações. Ficou um tanto quanto confuso em alguns momentos com os compartilhamentos frenéticos a cada nova notícia, além daqueles usuários retardatários compartilhando decisões anteriores como sendo as mais recentes.

Do que eu vi, por parte dos veículos, faltou um capricho maior na publicação das chamadas de atualização. Alguns optaram por usar uma vinheta “urgente”, mas achei em geral os títulos muito parecidos e as tags e imagens pouco informativas. Os menos desavisados realmente poderiam perder a “conta”.

Monitoramento das redes sociais poderia ter salvo Glória Pires de vexame na transmissão do #Oscar2016

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Por Linete Martins*

“Só morre quem está ao vivo”. Gosto muito dessa frase do Ernesto Paglia, repórter da TV Globo, que li um tempão atrás em um artigo com referências às coberturas ao vivo, publicado em revista sobre a nossa profissão, o Jornalismo.Muitaa responsabilidade para profissionais dessa área que, além do conteúdo, estão submetidos ao julgamento público sobre sua imagem, voz, roupa, numa sociedade intensamente midiática e com respostas instantâneas, para o bem e para o mal.

Nesta noite de domingo, Glória Pires, atriz maravilhosa, foi o exemplo clássico de como a imagem de alguém com uma carreira consolidada pode sofrer alguns arranhões imediatos por deslizes ao vivo – principalmente se o fato é algo como o Oscar, com milhões de pessoas ligadas na programação. Seu ar blasé, seus comentários monossilábicos – “bacana”, “interessante”, “merecido” – sobre os filmes que viu e alguns comentários do tipo “não vi”, “não posso opinar”, “não sou boa de premonição” surpreenderam. Twitter bombou, Facebook também. Memes engraçadíssimos tomaram conta das redes junto com perguntas como: “O que ela está fazendo ali”?

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