Curadoria em loop do que viraliza, quebra e bomba na internet: Precisa?

Padrão

por ALEXANDRE GONÇALVES

Em algum lugar do planeta deve existir um sujeito que não está em redes sociais nem usa o WhatsApp. Só isso justifica a atenção e o “esforço de reportagem” que sites e portais de “notícias” dedicam para o que viraliza, quebra e bomba na internet – uma editoria que parece estar cada vez mais consolidada em grandes veículos, segmentados ou não.

Quando se explica um meme ou uma hashtag dos Trending Topics, até vai, faz sentido porque contexto nunca é demais. O problema é que, na maioria das vezes, não é o que ocorre. É um mero registro sobre a atriz que mostrou um pouco a mais numa foto do Instagram ou algo do tipo, que sempre parece ser publicado para preencher a cota diária de publicações.

E cota diária já é um problema. Minha bronca é por causa da futilidade dos assuntos – alguns rendem até umas risadas (“manchetes para encher o Ego”). Mas o que pega mesmo é a falta de lógica na entrega de conteúdo para o público, o que, na minha opinião, mostra um desconhecimento do perfil do leitor e, principalmente, dos hábitos de consumo de informação.

Acompanhe.

  • Conteúdo (celebridades, curiosidades, Trending Topics, etc.) é publicado e “bomba” nas redes sociais de usuários.
  • Se bomba nas redes sociais, é porque outros usuários online viram, curtiram, comentaram e compartilharam.
  • Sites e portais publicam registro sobre o conteúdo e compartilham nas suas redes sociais para o público online, com enorme chance de ser o mesmo que já viu, curtiu, comentou e compartilhou.

Ou seja, é uma “curadoria em loop” com entrega de conteúdo datado, que já não é novidade para muita gente, levando em conta os números das redes sociais no Brasil.

Os dados mais recentes mostram que em 2018, foram registrados 8 milhões de novos usuários, conforme o relatório Digital in 2018. E os usuários ficam mais de 3h conectados em redes sociais – só perdendo para as Filipinas. Só o Facebook soma 129 milhões de usuários ativos no Brasil, enquanto o WhatsApp aparece em segundo com cerca de 120 milhões. É muita gente, não é?

Ou será que em algum lugar do planeta (ou multiverso…) existe mesmo um sujeito que não está em redes sociais, como o Facebook, nem usa o WhatsApp?

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *