#Migrei: “Me preparei ao buscar formação e ao acompanhar a migração de colegas para o digital”

Padrão

Com passagens pelos principais jornais de Santa Catarina, a jornalista Alessandra Ogeda migrou para o marketing de conteúdo/digital em junho de 2017, logo após deixar a função de comentarista de economia do Grupo RIC (jornal e TV). “A mudança de carreira foi um pouco planejada e um pouco por causa das circunstâncias que se apresentaram”, conta a jornalista, blogueira desde 2007.

Atuando na agência Tekoa, de Florianópolis, Ogeda diz que há vários anos já enxergava outro tipo de comunicação como sendo mais interessante do que o jornalismo tradicional. “A minha visão sobre a comunicação e o papel do comunicador – mais do que do jornalista – começou a mudar quando eu fiz um doutorado na Espanha entre 2006 e 2008”, lembra. Já de volta ao Brasil, em 2010 ela também retornou para as redações. “Naquela época, eu já achava que o digital era um caminho inevitável, mas eu ainda não tinha enxergado a grave crise do jornalismo que se manifestaria pouco a pouco”, analisa.

Na entrevista a seguir, a terceira da série #Migrei, Alessandra Ogeda destaca pontos importantes de sua migração do jornalismo para o marketing de conteúdo/digital.

Leia a entrevista.

Leia também:
#Migrei: “Me sinto muito mais à vontade no marketing digital do que em redação”
#Migrei: “Foi uma decisão pensada já que queria começar a trilhar meu caminho no marketing digital”
Um mercado para jornalistas, mas vamos com calma

VÍDEO: Uma reflexão sobre o que é ser jornalista nos dias de hoje

 

Primeiro Digital: Como a experiência especialmente no jornalismo econômico influenciou e ajudou na mudança de área? 

Alessandra Ogeda – Como eu migrei para o marketing de conteúdo/digital, acredito que toda a minha experiência anterior no jornalismo me ajudou na mudança de área. Claro que cada cliente que atendemos dentro do marketing de conteúdo/digital tem um perfil e uma característica, então não necessariamente o jornalismo econômico se encaixa com estes perfis.

Mas toda a experiência nos meus 20 anos como jornalista me ajudou nessa adaptação à nova área. Especialmente na gestão de conflitos, no diálogo e negociação com os clientes e na gestão de pessoas depois que eu assumi a função de gestora de conteúdo da empresa em que atuo.

Primeiro Digital: Que balanço faz da migração até o momento? O que considera a maior dificuldade até aqui?

Alessandra Ogeda – Acho que a migração para o marketing de conteúdo/digital foi muito positiva. Realmente não me imagino mais atuando sem ter o “olhar digital”, o foco na comunicação neste meio.

Aprendi muito desde que entrei na área. Os processos, a dinâmica de trabalho e a forma de pensar o conteúdo é muito diferente do jornalismo, mas tudo acaba estando relacionado com a comunicação. E como, desde o meu doutorado, eu me enxergo muito mais como uma especialista em comunicação do que como uma jornalista, simplesmente, para mim foi tranquilo fazer essa “virada de chave”.

Aprendi muito neste período sobre as estratégias do marketing de conteúdo/digital e como é possível oferecer informação de qualidade sem cobrar por ela, aproximando marcas e empresas de seus públicos. Todos saem ganhando com isso.

Sobre a maior dificuldade nesta função, vejo que é conseguir bons profissionais de conteúdo que queiram fazer a migração para esta área e entender as diferenças nas entregas e na forma de gerir a informação nessa área.

Primeiro Digital: Como avalia a migração de jornalistas para o marketing de conteúdo/digital? Ainda pensa em voltar ao jornalismo?

Alessandra Ogeda – Acho fundamental a migração de bons profissionais do jornalismo para o marketing digital/de conteúdo. Como o conteúdo é o centro das estratégias que adotamos, precisamos de pessoas que produzam conteúdos de qualidade. Parte destes conteúdos é feita com base em pesquisa, e parte é feita com base em entrevistas. Acho que os jornalistas têm a capacidade de encontrar informações relevantes e de fazer entrevistas como ninguém.

Por isso acho sim muito importante que jornalistas vejam no marketing digital/de conteúdo uma oportunidade para eles também contribuírem com conteúdos gratuitos e relevantes para os públicos que navegam em diferentes partes da internet. A vantagem do marketing digital/de conteúdo é que um jornalista, se desejar, pode atuar tanto na sua área de origem, desenvolvendo reportagens relevantes, quanto produzindo alguns conteúdos para o marketing digital.

Primeiro Digital: Ainda pensa em voltar ao jornalismo?

Alessandra Ogeda – Não é algo que eu descarto totalmente, mas para isso acontecer seria necessário ver uma iniciativa de jornalismo em Santa Catarina realmente voltada para o digital e para a qualidade da informação. Teríamos que ter novas iniciativas no jornalismo catarinense para que isso fosse oferecido e/ou uma virada de chave das empresas que estão atualmente no mercado. No cenário atual, não vejo isso sendo feito.

Mas no futuro, caso aparecesse alguma iniciativa afinada com o jornalismo digital e com o jornalismo de qualidade, quem sabe eu não poderia voltar para a área? Não tenho muito a vocação empreendedora, mas eu também poderia gerar uma iniciativa mais profissional com esse viés de geração de conteúdo na internet e que tivesse também o retorno financeiro como um de seus focos – diferente do meu blog com críticas de cinema (leia aqui), que segue na ativa, oferecendo conteúdos gratuitos e de qualidade mas sem capitalizar sobre estes conteúdos.

Primeiro Digital:  O que sugere para o jornalista que pensa em mudar de área?

Alessandra Ogeda – Basta ter interesse. Tanto em procurar oportunidades no mercado – e há muitas – quanto em aprender a pensar “fora da caixa”, além dos conceitos do jornalismo. Quanto mais o jornalista perceber que ele é um facilitador da comunicação, quanto mais ele perceber que é um especialista em comunicação mais do que apenas um jornalista, mais fácil será entender as diferenças das duas áreas e perceber que ele tem muito a oferecer para o marketing digital/de conteúdo.

Hoje existem vários cursos online, gratuitos ou pagos, que explica a lógica por trás do marketing digital/de conteúdo. Mas nada melhor que começar a atuar na área e aprender com quem já está neste mercado. Além disso, o jornalista tem que estar disposto a aprender sempre e a apresentar novas ideias e formas de fazer em busca de maior eficiência. Mas, volto a dizer, o interesse de querer fazer esta migração é o ponto fundamental.

Trocou o jornalismo pelo marketing digital? Compartilhe sua experiência!