Twitter não foi cancelado em 2020

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por ALEXANDRE GONÇALVES

Acredito que haja consenso sobre o que de pior se viu no meio digital em 2020: a criação e propagação sem freios de fake news sobre o coronavírus, associado ao papelão de “jornalistas” dando vazão a conteúdos mentirosos e nocivos que só fizeram a pandemia chegar aos números tráficos de casos e de mortes.

Mas há pontos positivos para se destacar em 2020 sobre conteúdo e plataformas digitais. Começo falando sobre o Twitter.

Twitter renascido

Sou usuário de primeira hora do Twitter. Entrei no ano em que a rede social surgiu e passei a usar efetivamente no ano seguinte (2007). Sempre considerei a melhor plataforma para uso dos jornalistas e dos veículos tanto para distribuição de conteúdo quanto para curadoria e coberturas colaborativas.

Mas enquanto outras redes surgiam e conquistavam o público, o Twitter perdia gás e, pior, tornou-se um ambiente tóxico, infestado de pilantras (quantos você conhece?) e robôs empenhados em propagar mentiras e destruir reputações.

Não dá para dizer que isso mudou totalmente em 2020, mas pode-se afirmar que deu para respirar um pouco melhor no microblog. Primeiro porque é inegável o papel do Twitter como local de resistência aos ataques à democracia e ao desgoverno que vivemos, especialmente no combate à Covid-19.

E segundo porque o Twitter foi palco de duas importantes iniciativas em 2020, começando pela versão brasileira do projeto Sleeping Giants. Quem seguiu o perfil @slpng_giants_pt acompanhou (e vibrou) com a batalha pela desmonetização de sites de fake news. De longe, a iniciativa do casal de estudantes do interior do Paraná é a mais vitoriosa no combate aos mentirosos de padrão (aprende, TSE!).

Importante destacar também o perfil @EleicaoEUA, uma iniciativa independente que ajudou a explicar o confuso processo eleitoral dos Estados Unidos.

Os administradores do perfil não encerraram a conta após a confirmação da aguardada vitória do democrata Joe Biden. O @EleicaoEUA continua sendo atualizado, na expectativa da posse em 20 de janeiro e no acompanhamento dos últimos dias de Donald Trump na Casa Branca.

GloboNews versus CNN Brasil

Por fim, o Twitter virou também uma parte importante na “guerra dos canais de notícias” entre GloboNews e a CNN Brasil, que estreou em março. Apresentadores e comentaristas dos dois canais marcam presença diariamente na rede social para interagir com o público e entre si, mas principalmente para chamar telespectadores para suas atrações.

A atuação dos comentaristas da GloboNews é marcada por comentários sobre o noticiário, mas também por um clima de descontração. Às vezes até parece ser uma extensão do programa Estudo I, apresentado pela Maria Beltrão, onde os participantes se permitem fugir do roteiro e partir para a zoeira, tendo o comentarista Octávio Guedes como alvo preferido.


Do lado da CNN Brasil, a âncora Daniela Lima, que comanda o CNN 360º, é a que mais se destaca no papel de “social media” do canal. Em seu perfil @DanielaLima_, a jornalista adotou até um bordão, o “Liga 577”.

Entende-se esse esforço pelo fato do canal ser uma novidade no mercado, mas também por ter nascido sob desconfiança em relação à cobertura do governo Bolsonaro, reforçada pela presença de Falsões como Caio Copola e Alexandre Garcia na programação.

Mas vale ressaltar que a apuração das eleições municipais na “Record de sapatênis”, como a CNN Brasil também é pejorativamente conhecida, sob o ótimo comando da Daniela e do Márcio Gomes, deu de dez a zero na concorrência.


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