O rabo longo das fake news e os “jornalistas de grife” que perderam a vergonha

Padrão


Por ALEXANDRE GONÇALVES

O mau uso do WhatsApp tem sido a principal fonte de desinformação no Brasil. A propagação de fake news em grupos de amigos, da família, do trabalho, da academia, da raça do futebol, da turma da faculdade… já influenciou votos em eleições e contribui para a negação sobre praticamente tudo o que se refere à pandemia do coronavírus.

A leitura do livro “Máquina do Ódio”, da jornalista Patrícia Campos Mello, ajuda a entender o impacto das mensagens mentirosas enviadas pelo “Zap-Zap”. E mais: no caso do uso partidário, o livro também revela como a justiça não soube (ou não quis) brecar as notícias falsas e seus criadores e propagadores. O resultado está aí, no cercadinho da Alvorada, nas redes sociais e nas lives espalhando fake news.

Portal aberto

O “sucesso” das tramoias baseadas em notícias falsas e desinformação nas redes sociais e no WhatsApp abriu um portal.

Um portal por onde não passam apenas o tiozão do pavê, a Velhinha de Taubaté ou os membros do gabinete do ódio. Passam também jornalistas que até outro dia eram reconhecidos pela competência, pela credibilidade, pela ética e pela fidelidade aos fatos. Ou, ao menos, não iam contra a lógica e a ciência.

Muitos foram chamados “jornalistas de grife”. Mas trocaram isso para cair nos braços dos negacionistas e ficar à vontade para escrever e falar qualquer tipo de absurdo.

Estão surfando no novo conceito de “jornalista de grife” que agora é aquele jornalista que repete e publica aquilo que a torcida do Negação Futebol Clube quer ouvir.

Vilão disfarçado

A dúvida é se esses jornalistas, na verdade, não mudaram. Apenas rasgaram a fantasia e perderam a vergonha de falar o que sempre pensaram. Ganharam respaldo e estão confortáveis agora que a desinformação circula com desenvoltura nas redes sociais.

Esses jornalistas me lembram aquele personagem de desenho animado da Hannah-Barbera, o Capitão Guapo, que parecia ser o herói na Corrida Espacial, mas, na verdade, era o vilão Falsão disfarçado. SEMPRE FOI O FALSÃO!

E quando confrontados, esses “jornalistas de grife” do tipo Falsão se defendem. Apelam para a liberdade de imprensa e liberdade de expressão, além do direito do cidadão de ser o senhor de suas atitudes – como se vivesse sozinho na sociedade.

Liberdade de imprensa e de expressão em nada tem a ver com a irresponsabilidade de dar vazão à informações COMPROVADAMENTE falsas, imprecisas e nocivas, como são as fakes news referentes ao uso de máscara, ao isolamento social e até a importância da vacina da Covid-19.

E o que é mais incrível: muitos dos conteúdos mentirosos que são compartilhados com destaque por “jornalistas de grife” (muitas aspas aqui) em suas redes sociais e em seus espaços na mídia já foram verificados e atestados há meses como inverdades por agências de checagem.

A gracinha do TSE

É o que chamo de “rabo longo das fake news”, uma alusão pejorativa, como deve ser, à cauda longa da internet. Ou seja, é aquele conteúdo falso que sempre volta, ganha sobrevida e mais um período de visibilidade, especialmente em colunas de opinião de sites e portais de notícias ditos sérios.

Outra dúvida: isso é feito por burrice, preguiça, desinformação ou, o que me parece mais provável, má fé. Já tive o cuidado de conferir publicações e enviar o link da checagem para editores de sites. “Cara, isso não é verdade. Já foi desmentido lá em abril!”. Mas como a publicação de fake news se tornou frequente, larguei. As autoridades que lutem…penso eu.

Mas aí o Tribunal Superior Eleitoral faz a GRACINHA de chamar um comprovado “jornalista de grife” Falsão para sua campanha por eleições limpas e livres de fake news.

Só o TSE não viu?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *