Um desafio extra para a CBN-Diário na chegada ao FM

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por ALEXANDRE GONÇALVES

A rádio CBN-Diário AM 740, de Florianópolis, estreou no FM 91.3 no dia 27 de novembro de 2020 e passou a ser a primeira emissora em frequência modulada com programação 100% jornalismo na Capital catarinense.

A novidade chama a atenção por antecipar a ida para o FM da rádio do Grupo NSC Comunicação. Em tese, isso só ocorreria com o processo de migração do AM para o FM, que vem ocorrendo em Santa Catarina, mas que ainda está parado e sem perspectiva em Florianópolis – nenhuma emissora migrou até agora. A NSC arrendou a frequência que era, até então, da Nativa FM, de Tijucas.

A antecipação é louvável e reforça a CBN-Diário como uma emissora multiplataforma, oferecendo uma opção a mais para os ouvintes além do AM, que continua, do site, do aplicativo NSC Total, das redes sociais e até dos assistentes virtuais (eu, por exemplo, no escritório, ouço a CBN no Echo DOT, com a ajuda da Alexa, da Amazon; peço pela CBN, programação ao vivo, cidade de Florianópolis; nos outros cômodos, levo o Toshiba da foto em destaque no post).

Apesar da boa notícia, o sinal da CBN-Diário no FM, no entanto, ainda precisa de ajustes. Constatei que em regiões nos municípios de São José e Palhoça, vizinhos “de porta” de Florianópolis, ainda é difícil sintonizar a emissora. O sinal não está limpo. Há chiados atrapalhando a transmissão e em alguns locais ficam só chiados.

Bola dividida na cobertura esportiva

Além da questão técnica, que acredito que se resolverá em breve, a CBN se viu diante de um outro desafio desde o dia 27.

A ida para o FM veio acompanhada de mudanças na programação. Foram lançados novos programas e o principal programa da emissora, o Debate Diário, mesa-redonda esportiva no ar há mais de 20 anos, teve que mudar de horário, saindo das 13h e indo para as 11h – o que desagradou torcedores de Avaí e Figueirense.

Programa Debate Diário na estreia da CBN-Diário no FM, no dia 27 de novembro de 2020. | Foto: Reprodução / Site CBN-Diário

A mudança de horário, como divulgado, obedece uma decisão da Rede CBN. O Debate Diário ocupava o horário que, na prática, deveria ser do jornal CBN Brasil, transmitido das 12h às 14h para toda a rede. A devolução do horário já havia sido especulada outras vezes, mas calhou de ocorrer justamente agora, numa virada importante para a CBN-Diário e sua ida para a FM.

Criou-se um problema duplo, na minha opinião.

Primeiro, foi o programa da CBN-Diário que criou o hábito no rádio de Florianópolis do debate esportivo na hora do almoço/começo da tarde. Antes, o horário tradicional de mesa-redonda era às 18h, como era na rádio Guararema nos anos 80, com o Bate-Bola. E a troca para as 11h foge desse padrão, mas olhando os espaços locais na programação da rede CBN, não havia outra opção.

Vejo aqui o segundo problema. Diante da troca e temendo a perda de audiência, a equipe do Debate Diário vem fazendo um esforço no ar de lembrar que o programa pode ser ouvido ao vivo às 11h, mas também nas plataformas digitais, às 13h, ou quando o ouvinte achar mais conveniente. E por que isso é um problema?

Do rádio para o digital, do digital para o rádio

A meu ver, o esforço se justifica. O perfil do ouvinte da CBN-Diário ainda é de um ouvinte mais tradicional de rádio e não necessariamente um ouvinte multiplataforma. É o ouvinte do rádio ao vivo.

Usam WhatsApp, até poderiam correr para a internet em dia de jogo no horário da Voz do Brasil, mas preferem o rádio. Tomo meu pai como exemplo e, não por acaso, na interação com ouvintes chovem fotos de diferentes modelos de rádios em datas como o Dia do Rádio.

Ou seja, para manter o público do carro-chefe da sua programação, o desafio da CBN-Diário é levar o ouvinte do rádio para as plataformas digitais.

Diferente do projeto Veg Esportes, principal concorrente da CBN na cobertura do futebol de Florianópolis, que nasceu nas plataformas digitais em abril de 2019 e foi para a rádio (Cidade FM 90.7) em 2020.

O caminho do Veg foi muito mais curto e mais fácil de gerar engajamento.

Criou-se a novidade nas redes sociais, com nomes conhecidos do rádio esportivo e uma programação inteligente (debates em vídeo antes e depois dos jogos), e desde o começo havia a expectativa dos torcedores pelas transmissões das partidas. Quando veio a parceria com a rádio Cidade FM, o público já estava aquecido para acompanhar também as jornadas nas ondas do rádio.

Multiplataforma no modo avançado

Dando alguns descontos (a venda dos veículos da RBS em Santa Catarina para a NSC, o enxugamento de pessoal e também a pandemia,…), acredito que faltou a CBN-Diário investir em programação exclusiva nas suas plataformas digitais. Ou seja, ser multiplataforma no modo avançado e usar canais digitais não só para retransmitir a programação ao vivo.

Descolar do rádio (meio) com o objetivo de criar no ouvinte o hábito de assistir/ouvir programas apresentados apenas no formato vídeo (YouTube, Facebook…) ou podcast, por exemplo, tornaria mais tranquila a transição do Debate para o novo horário.

Ok, a chegada ao FM é o que importa para a CBN-Diário no momento, mas por que não driblar o engessamento da rede com as plataformas digitais?

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