Hora de refundar o conceito de rede social

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Providência tomada: Facebook só pro trabalho. Não vou excluir o perfil (o Messenger estará ativo no celular), mas só vou entrar com outro perfil vinculado ao trabalho de gestão das páginas dos clientes que atendo. E do Primeiro Digital. Não vou seguir ninguém nem curtir páginas. Estarei no grupo Jornalismo Digital SC – Primeiro Digital e nos grupos dos cursos e palestras que dou.

Sigo no Twitter (@agenteinforma @primeirodigital e @tufloripa) e no Instagram (@agenteinforma @primeirodigital e @tufloripa), no LinkedIn (https://www.linkedin.com/in/alexandregoncalves1602/) e no www.primeirodigital.com.br. Essa decisão é uma questão de manter o foco e de saúde mental. Facebook tá contaminado de um jeito que não tem mais volta. Estresse desnecessário, mesmo estando em uma bolha.

Há um mês publiquei a mensagem acima no meu Facebook e desde então estou em processo de transição para a conta nova criada para uso profissional. Mais do que isso, esse processo de distanciamento do Facebook me faz repensar o uso das redes sociais.

Curiosamente, antes da decisão acima, voltei 100% para o Twitter, onde estou há exatos 11 anos, completados nesta semana. Simbolicamente, deixar o Facebook de lado e estar efetivamente no Twitter é como se recomeçasse minha história com “famosos sites de relacionamento” (saudades do Orkut…).

Não é somente a questão do vazamento de dados que me fez decidir por este posicionamento em relação ao Facebook. A decisão é anterior e é por tudo (comentários lixo, fake news…). E é fruto de verdade de uma avaliação sobre qual a utilidade de estar por lá diariamente. O que ganho? O que acrescenta? Quanto me tira do foco para coisas mais importantes do meu dia?

Do que era lá atrás para o que virou, o Facebook morreu faz tempo como rede social e nem esse papo de mexer no algoritmo para mostrar mais posts de amigos do que conteúdo de páginas cola mais. Conta pro bonequinho, como diz Miguel Livramento, famoso comentarista esportivo de Santa Catarina.

A empresa Facebook garantiu seu futuro comprando o  Instagram e o WhatsApp, mas perdeu seu site principal (ok, os números ainda são gigantes…) quando quis ser a página de entrada de todo mundo na internet. Não é e nunca será. A internet já passou por isso em seu começo nos anos 90 com os CDs de instalação da America Online, lembra?

E se tem uma coisa que ainda faz sentido em rede social é o usuário criar sua própria forma de uso. Facebook nunca foi amigável quanto a isso. Vide a morte muito sentida das listas onde era possível reunir as páginas favoritas para acompanhar e, principalmente, compartilhar com outros usuários. Por que acabou com isso, Mark? Cortar as asas do usuário para ele mesmo fazer sua página inicial, né?

Não tem almoço grátis nem santo, mas na relação com o usuário o Twitter sempre deu de dez no Facebook. Falo com tranquilidade… Um usuário criou o RT, por exemplo, e o fiz muitos experimentos usando listas e hashtags ou casando Twitter com outras plataformas como o CoverItLive.

Em 2008, no projeto do BipMe.tv, um serviço de alerta sobre programação de TV, do qual foi o gestor de conteúdo, agregamos tweets comentários de fãs de programas, filmes e séries. Era o complemente perfeito para as páginas de descrição das atrações da TV.

E do Facebook, o que se aproveita? O plugin de comentários, que, ok, facilita (o blog ainda usa), mas tem o propósito de gerar conteúdo para dentro do site ex-rede social. Tem também login social usando conta do Facebook que sinceramente não sei mais se é uma boa ideia… Fora a dificuldade que é para tratar de questões legais com eles – tema sobre o qual meu amigo José Vitor Lopes pode falar melhor.

Enfim, de tudo o que estou pensando a respeito do assunto, e é algo que impacta diretamente no meu dia a dia profissional, dá para dizer é que estamos numa encruzilhada:

Ou assumimos que tudo bem ser refém do Facebook ou refundamos o conceito de rede social.

Voto pelo segundo caminho e, por enquanto, começo revendo a minha relação com as redes sociais.

Quem mais?

P.S.: E antes que alguém pergunte, o Twitter pode ter perdido espaço, mas está longe de ser o Latim das redes sociais. De certeza.