Ventos e “tsunami” em SC: Faltou crédito, mas também faltou checar a veracidade das imagens

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O crédito Fotos: Internet foi apenas um dos problemas no post publicado na página do deputado catarinense Décio Lima (PT) citando os problemas causados pelo vento e pelo tsunami meteorológico que atingiu o Sul de Santa Catarina na tarde de domingo. Duas das oito fotos publicadas (sem créditos e sem legendas) não são nem de ontem nem de fatos ocorridos em Santa Catarina. Uma é de um vídeo publicado no YouTube em 2012 sobre três carros sendo engolidos pelo mar em São Luís, no Maranhão, e a outra, de 2014, é uma foto de um acidente ocorrido em Natal, no Rio Grande do Norte.

O problema é que não foi só a equipe do deputado que não fez o dever de casa e checou a veracidade das imagens. Veículos locais, estaduais e até nacionais também erraram em não conferir se era a imagem era mesmo referente aos fatos de ontem.

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Dar crédito é reforçar a credibilidade do conteúdo

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Ventos de quase 100 km/h e um tsunami meteorológico atingiram o Sul de Santa Catarina, principalmente a cidade de Tubarão, neste domingo, causando prejuízos, acidentes e pelo menos uma morte registrada (uma criança após ser atingida por uma árvore). O fenômeno ocorreu no meio da tarde e pegou as redações já encaminhando os finalmentes do plantão dominical e precisaram de fotos e vídeos que os leitores publicaram nas redes sociais para ilustrar as reportagens nos sites e também a edição impressa desta segunda, no caso dos jornais.

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Três aulas sobre microjornalismo

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No último sábado (23), a Ana Brambilla ministrou a segunda das duas aulas sobre microjornalismo colaborativo que ela deu no curso de pós-graduação em jornalismo digital do ISCOM, aqui em Florianópolis. Tive a oportunidade de acompanhar as aulas e a Ana, com toda a sua experiência, ajudou a esclarecer de forma mais detalhada um pedaço importante da crise que vive o jornalismo nos dias de hoje: o distanciamento entre o que é produzido e publicado com aquilo que realmente interessa ao público.

A Ana propôs um exercício interessante com a turma. Um desafio: listar tarefas do dia a dia e causas ou assuntos do interesse e depois analisar de que forma 10 notícias publicadas em sites impactavam na nossa vida. Ligar os pontos com a parte da análise foi difícil. Mas da lista de acontecimentos diários – no nosso microuniverso – a Ana mostrou que com foco bem ajustado os veículos poderiam extrair boas pautas. E é verdade.

No domingo, comprovei na prática, com uma terceira aula sobre microjornalismo, desta vez com o seo Vadinho.

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Comunidades locais brasileiras vivem vácuo informativo, por Evandro de Assis

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Jornais, rádios e TVs locais enfrentam o derretimento das receitas com publicidade (drama estrutural agravado pela recessão econômica nacional) e têm menor margem para cortar custos sem reduzir seu jornalismo. Do outro lado, no mundo digital veículos locais reúnem audiências de baixa escala, com baixo potencial de monetização, via publicidade ou cobrança pelo conteúdo. Na prática, as empresas diminuem drasticamente de tamanho afetando qualidade e abrangência da cobertura jornalística – quando não fecham as portas. É iminente a possibilidade de cidades médias importantes não contarem com o trabalho regular de um jornal diário – ou de redação com ao menos uma dúzia de jornalistas para observar e discutir o cotidiano.

No momento em que “crise” virou lugar comum no Brasil, e que a observação e crítica do jornalismo debruça-se sobre temas nacionais urgentes, a imprensa local declina silenciosamente e o vácuo de informação que fica nem de longe é compensado pelas ainda incipientes iniciativas nativas digitais. (…)

Há um jornalismo novo a ser construído para se reverter o crescimento do vácuo informativo em âmbito local. Provavelmente mais complexo, imerso em mais e maiores dilemas éticos e, pelo menos até agora, sem garantia de viabilidade econômica. Se os jornalistas não se ocuparem dele, alguém o fará.

Leia o artigo completo do jornalista, doutorando e pesquisador Evandro de Assis no site do ObjEthos.

Twitter completa 10 anos: ainda é relevante?

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Eu pergunto e eu mesmo respondo o título nesta data especial dos 10 anos do site de microblogs: sim, o Twitter ainda é relevante. Desde que o Facebook monopolizou as atenções, muitas dúvidas foram levantadas sobre a rede social dos 140 caracteres. A relevância foi apenas uma delas. Há outras, mais profundas, que incluem a estagnação no número de usuários e as mudanças internas que refletem no valor de mercado da empresa.

Na comparação com o Facebook, do ponto de vista do trabalho jornalístico, o Twitter sempre esteve em vantagem. A rede do Zuckerberg nunca ganhou funcionalidades capazes de conquistar “coraçõeszinhos” dos jornalistas. Tanto é que o esforço do Facebook neste sentido parece ser mais focado nas empresas de comunicação do que no profissional de comunicação – vide o Instant Articles.

Durante muito tempo repeti por diversas vezes que para mim seria sempre “Twitter + 1”. Ou seja, na hora de escolher uma rede social como aliada do trabalho de publicação de conteúdo relevante e de produção de conteúdo, o Twitter estaria sempre lá, junto com outra plataforma. Nunca o contrário. Seria sempre uma certeza. Ainda é? Para mim e para a maior parte dos usuários, sim. Palavra de quem deu uma espiada no que era “Twitter” em 2006 e voltou em 2007 para nunca mais sair.

Veja o post especial no blog do Twitter com alguns dos destaques desta primeira década.

 

E siga @primeirodigital.

Sobre as redes sociais na semana mais quente do FlaFlu político

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O acirramento do FlaFlu político nos últimos dias com as manifestações, a nomeação de Lula, os grampos e as liminares esquentou as coisas ainda mais nas redes sociais. Neste turbilhão de postagens no Facebook e no Twitter, qual tem sido o valor de tudo o que se publica nestes canais como ingredientes para reportagens?

Pelo o que pude acompanhar, quase nenhum. O FlaFlu pegando fogo nas redes sociais é explorado (e muito bem explorado) pelos veículos para distribuição de conteúdo e geração de tráfego. “Redes sociais como fonte de conteúdo colaborativo” não tem sido um mantra neste caso. Risco de “tomar partido”? Na geração de pautas, o de sempre: a graça do “Veja os memes” ou a futilidade do “Veja fotos dos famosos nas manifestações“.

Fora isso, um ou outro destaque baseado no monitoramento de menções, uma ou outra repercussão sobre polêmicas como a foto do casal com a babá, uma ou outra reportagem repercutindo opinião de algum especialista. Ou o aproveitamento de comentários específicos como a repercussão de uma capa ou de um editorial. Aliás, crítica à mídia é o que não falta nas redes sociais. Há muitas críticas coerentes e que devem ser feitas (o momento pede) e outras menos qualificadas da turma que (pensa que) é especialista em jornalismo.

A guerra das liminares

O episódio das liminares contra a posse de Lula como ministro é um caso à parte. Quando a primeira foi expedida, o Facebook virou fonte por causa dos posts anti-Dilma publicados pelo juiz que concedeu a liminar. A falta de bom senso dele levantou boas discussões inclusive sobre o uso de redes sociais por pessoas com funções públicas. Juiz não deve ser e parecer imparcial?

Depois, a questão das liminares virou o “desafio do F5” com os veículos acompanhando as novas decisões e o público das redes sociais tentando não se perder com as atualizações. Ficou um tanto quanto confuso em alguns momentos com os compartilhamentos frenéticos a cada nova notícia, além daqueles usuários retardatários compartilhando decisões anteriores como sendo as mais recentes.

Do que eu vi, por parte dos veículos, faltou um capricho maior na publicação das chamadas de atualização. Alguns optaram por usar uma vinheta “urgente”, mas achei em geral os títulos muito parecidos e as tags e imagens pouco informativas. Os menos desavisados realmente poderiam perder a “conta”.

O dia em que um rio passou na vida do Twitter

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Foi em 15 de janeiro de 2009 que @jkrums fez história ao publicar no Twitter a foto do acidente com o avião da US Airways que havia acabado de “pousar” no Rio Hudson, em Nova York. “There’s a plane in the Hudson. I’m on the ferry going to pick up the people. Crazy”, escreveu @jkrums no tweet que é considerado pelo próprio Twitter como um dos momentos mais importantes da história do site. “É a primeira da cena, dando as más notícias antes mesmo que a mídia tradicional soubesse”, destaca o site.

Em 2009, lembro, muitos veículos praticamente ignoravam o Twitter e por isso mesmo “boiavam” totalmente nas possibilidades do site gerar conteúdo-cidadão relevante. Ficavam naquela de “que troço bobo, o pessoal ficar dizendo que acordou, tomou banho, café…”. É justo que o Twitter tire esta “casquinha” do “milagre do Rio Hudson”, mas o site também foi protagonista em outros fatos marcantes – antes mesmo deste episódio (um exemplo local que já lembrei aqui foi da cobertura dos estragos provocados pelas chuvas em 2008 no Vale do Itajaí, em Santa Catarina).

O cenário hoje é outro no segmento de redes sociais. Os usuários estão mais preocupados em dizer (muitas vezes sem ler nem pensar) do que em mostrar. Em vez de repórter-cidadão, todos querem ser “comentarista com toda a razão” – é todo mundo especialista em tudo. Mas por sorte, o Twitter ainda está lá, atrás das outras redes sociais, mas na frente quando o assunto é geração de conteúdo colaborativo (procurem informações sobre trânsito, por exemplo).

Não precisa cair outro avião num rio, mas fica a dica para os colegas das redações para que não deixem de monitorar o que está sendo contado e mostrado lá na rede social do passarinho. Ou vai deixar o Twitter cantar de galo dizendo que deu uma notícia primeiro que a mídia tradicional? Pode dar junto, quem sabe. Passa lá.

Veja mais momentos marcantes na história do Twitter.

Saiba mais sobre o acidente.

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Vá além do WhatsApp

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A jornalista, professora e pesquisadora Ana Brambilia compartilhou o post com a lista de dez assuntos que se destacaram em 2015 e fez uma observação interessante em sua postagem no Facebook:

Bela lista do Alexandre Gonçalves. Da minha parte, claro, noto que não consta na lista qualquer tema sobre colaboração no jornalismo. Será que:
(a) já se tornou commoditie?
(b) tentaram e não deu certo?
(c) passou a acontecer naturalmente pelas redes sociais?
(d) putz! o público? de novo?! pelamor…

Li o comentário da Ana e fiquei pensando a respeito. Será que deixei passar algum tema relacionado à colaboração? Pensei nas alternativas sugeridas por ela, mas acabei lembrando de um fator que está atropelando esta questão de colaboração no jornalismo: o “fator WhatsApp”.

Escrevi, em resposta à Ana, que o aplicativo deu uma embaralhada nessa história da colaboração. A ferramenta, ao que parece, basta para os veículos. E não tem muito de pensar em produto com estratégia, modelo. Divulgar o número é o suficiente. Falta até filtro. Basta lembrar o que aconteceu no dia em que a justiça bloqueou o aplicativo em todo o Brasil. Por exemplo, rádios sem outros canais de participação ficaram perdidas e sem as opiniões e informações dos ouvintes.

Ficar restrito ao WhatsApp é um erro. Manter canais próprios e estratégias para estimular a participação e utilizar informações que sejam fruto de colaboração direta do público são ingredientes que não podem faltar na gestão de produtos digitais. Isso ajuda a fortalecer os laços com os leitores/ouvintes/telespectadores, a gerar fidelidade e a construir pontes que tragam mais audiência. É uma forma de mostrar, enfim, quem é (ou deveria ser) o protagonista sempre: o público.

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Sobre “Jornalismo de repercussão”

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Opinião do meu amigo Lúcio Lambranho sobre o tema do post Jornalismo de repercussão, respondendo à pergunta se apostaria neste mote como posicionamento para um produto digital:

Criaria um “tutorial” visual ou em vídeo sobre o papel do veículo e o que ele pode fazer pela sociedade ou comunidade. Depois, criaria um espaço para perguntas do leitores. Os melhores questionamentos ou os assuntos mais votados teriam destaque e empenho da redação em responder com especias e reportagens. As demais não ficariam sem resposta e teriam um espaço igualmente qualificado e de destaque, assim como os serviços de checagem de discurso e de fatos distribuídos por release pelos órgãos públicos. Algo semelhante como Aos Fatos.

“Acreditamos que estaremos entregando um produto consistente e inovador”, diz gerente digital do DC

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O Diário Catarinense, jornal do Grupo RBS, estreou nesta segunda-feira (26) um novo posicionamento editorial, retomando a cobertura estadual como seu carro-chefe. No impresso, as mudanças foram pontuais, com destaque para a nova marca, enquanto no digital houve uma reformulação completa do produto. Novo layout, novas editorias, nova organização do conteúdo, com desafio e objetivo bem definidos, como diz a gerente digital do Diário Catarinense, Gabriela Silva, em entrevista ao Primeiro Digital. “Os catarinenses apreciam a boa informação e as boas plataformas digitais”, diz. “Sempre que temos boas iniciativas, o retorno é muito positivo e é por isso que apresentamos o projeto do DC ano 30 com tanta crença”.

Leia a entrevista a seguir.

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