O que o Orkut pensa sobre Facebook

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O que o Orkut pensa sobre o Facebook? A resposta está na entrevista que o Gizmodo Brasil publicou neste sábado (9). Aproveitando o aniversário de 15 anos do Face, o repórter Guilherme Tagiaroli, meu colega no Master em Jornalismo Digital, conversou com o turco Orkut Büyükkökten, criador do famoso site de relacionamento (como era chamado nos telejornais na época), que viciou os brasileiros em rede social. Na entrevista, ele analisa o atual momento das redes sociais e também relembra características do site que criou.

Sobre as redes sociais, ele diz que “atualmente elas não são otimizadas para conectar as pessoas de forma significativa, mas para interesses de terceiros, anunciantes e grandes corporações”. E sobre a possibilidade do Facebook ser superado por outra rede social, Orkut diz acreditar que há mais gente usando o Instagram em vez do Facebook, por exemplo, que estaria passando por uma mudança no perfil do seu público.

Na busca por novas plataformas de interação, Orkut identifica que, se olharmos os aplicativos que tornam as pessoas mais felizes, são aqueles sobre compartilhamento de interesses como exercícios físicos, música, filmes ou livros. “No auge, o Orkut.com era sobre comunidades, compartilhar assuntos pelos quais as pessoas eram apaixonadas e estabelecer conversas e conexões entre elas”, diz. “Era sobre aumentar a conectividade e felicidade dos usuários por meio da tecnologia”.

Leia a entrevista completa no Gizmodo Brasil.


Um episódio emblemático

Ao ler as considerações de Orkut Büyükkökten, fazendo um paralelo entre o uso e as características das redes de hoje e as do site que ele criou, lembrei de um episódio emblemático ocorrido em janeiro de 2007: a compra de uma comunidade sobre Florianópolis para uso de um evento de verão. Registrei no meu blog na época, o Coluna Extra. Reproduzo o post abaixo.

RBS compra comunidade no Orkut

Já publiquei alguns posts no Coluna Extra sobre o uso do Orkut como ferramenta de marketing, especialmente para estreitar o relacionamento entre empresas e clientes. De olho nesse potencial, segundo o jornal O Globo, a RBS teria pago R$ 2 mil para se tornar administradora da comunidade “Eu Amo Floripa”, que tem cerca de 75 mil participantes.

A compra seria parte da estratégia de promoção e divulgação do projeto Floripa Tem, lançado pela RBS e que prevê a realização de uma série de eventos durante o verão na capital catarinense. A comunidade mudou o nome para “Eu Amo Floripa! Floripa Tem!” e tem como administrador o perfil Floripa Tem.

A ação não deixa de ser ousada. Mas ainda é cedo para saber se terá o resultado esperado e irá levar outras empresas a adotarem estratégia semelhante. Não duvido também que daqui a pouco comece uma enxurrada de comunidades criadas ou mudando de nome só para atrair compradores. Da mesma forma, o fato de ser uma “comunidade comprada” pode despertar outras reações que não de apoio à iniciativa da RBS.

Esse post foi publicado no dia 12 de janeiro. No dia seguinte, registrei que, como era de se esperar, muitos participantes estavam publicando críticas sobre a compra no fórum da comunidade. Desde o anúncio da compra, algumas mensagens postadas questionavam a legalidade da ação, outras defendiam o esvaziamento da comunidade como forma de “melar” o negócio (idealizada pela Agência Tudo para o projeto Floripa Tem da RBS).

No dia 15, em novo post, contei que diante das inúmeras mensagens de protesto (de todos os tipos) publicadas desde o anúncio do negócio, a comunidade comprada havia sido atualizada, voltando a ser apenas Eu Amo Floripa e sem a logo do Floripa Tem. A descrição também havia sido alterada com com a inclusão da letra do “Rancho de Amor à Ilha”, hino oficial de Florianópolis.

Ou seja, o uso comercial do Orkut, como parte de estrategias de marketing, até era ensaiado, mas a força do usuário fazia a diferença na plataforma. Ser dono ou fazer parte de uma comunidade era realmente um fator de grande engajamento. As pessoas se preocupavam até pela novidade que representava na época. Hoje, o usuário de rede social é um número e uma penca de dados antes de que qualquer coisa – principalmente para o dono da rede.

Sobre comunidades do Orkut:

Floripa é uma ervILHA e outras comunidades do Orkut que fizeram a gente olhar mais para a cidade 

[texto meu para a coluna Mirante, que publiquei no ND Online até 2015 – os links no texto estão desativados].

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