Três aulas sobre microjornalismo

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No último sábado (23), a Ana Brambilla ministrou a segunda das duas aulas sobre microjornalismo colaborativo que ela deu no curso de pós-graduação em jornalismo digital do ISCOM, aqui em Florianópolis. Tive a oportunidade de acompanhar as aulas e a Ana, com toda a sua experiência, ajudou a esclarecer de forma mais detalhada um pedaço importante da crise que vive o jornalismo nos dias de hoje: o distanciamento entre o que é produzido e publicado com aquilo que realmente interessa ao público.

A Ana propôs um exercício interessante com a turma. Um desafio: listar tarefas do dia a dia e causas ou assuntos do interesse e depois analisar de que forma 10 notícias publicadas em sites impactavam na nossa vida. Ligar os pontos com a parte da análise foi difícil. Mas da lista de acontecimentos diários – no nosso microuniverso – a Ana mostrou que com foco bem ajustado os veículos poderiam extrair boas pautas. E é verdade.

No domingo, comprovei na prática, com uma terceira aula sobre microjornalismo, desta vez com o seo Vadinho.

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Comunidades locais brasileiras vivem vácuo informativo, por Evandro de Assis

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Jornais, rádios e TVs locais enfrentam o derretimento das receitas com publicidade (drama estrutural agravado pela recessão econômica nacional) e têm menor margem para cortar custos sem reduzir seu jornalismo. Do outro lado, no mundo digital veículos locais reúnem audiências de baixa escala, com baixo potencial de monetização, via publicidade ou cobrança pelo conteúdo. Na prática, as empresas diminuem drasticamente de tamanho afetando qualidade e abrangência da cobertura jornalística – quando não fecham as portas. É iminente a possibilidade de cidades médias importantes não contarem com o trabalho regular de um jornal diário – ou de redação com ao menos uma dúzia de jornalistas para observar e discutir o cotidiano.

No momento em que “crise” virou lugar comum no Brasil, e que a observação e crítica do jornalismo debruça-se sobre temas nacionais urgentes, a imprensa local declina silenciosamente e o vácuo de informação que fica nem de longe é compensado pelas ainda incipientes iniciativas nativas digitais. (…)

Há um jornalismo novo a ser construído para se reverter o crescimento do vácuo informativo em âmbito local. Provavelmente mais complexo, imerso em mais e maiores dilemas éticos e, pelo menos até agora, sem garantia de viabilidade econômica. Se os jornalistas não se ocuparem dele, alguém o fará.

Leia o artigo completo do jornalista, doutorando e pesquisador Evandro de Assis no site do ObjEthos.

Twitter completa 10 anos: ainda é relevante?

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Eu pergunto e eu mesmo respondo o título nesta data especial dos 10 anos do site de microblogs: sim, o Twitter ainda é relevante. Desde que o Facebook monopolizou as atenções, muitas dúvidas foram levantadas sobre a rede social dos 140 caracteres. A relevância foi apenas uma delas. Há outras, mais profundas, que incluem a estagnação no número de usuários e as mudanças internas que refletem no valor de mercado da empresa.

Na comparação com o Facebook, do ponto de vista do trabalho jornalístico, o Twitter sempre esteve em vantagem. A rede do Zuckerberg nunca ganhou funcionalidades capazes de conquistar “coraçõeszinhos” dos jornalistas. Tanto é que o esforço do Facebook neste sentido parece ser mais focado nas empresas de comunicação do que no profissional de comunicação – vide o Instant Articles.

Durante muito tempo repeti por diversas vezes que para mim seria sempre “Twitter + 1”. Ou seja, na hora de escolher uma rede social como aliada do trabalho de publicação de conteúdo relevante e de produção de conteúdo, o Twitter estaria sempre lá, junto com outra plataforma. Nunca o contrário. Seria sempre uma certeza. Ainda é? Para mim e para a maior parte dos usuários, sim. Palavra de quem deu uma espiada no que era “Twitter” em 2006 e voltou em 2007 para nunca mais sair.

Veja o post especial no blog do Twitter com alguns dos destaques desta primeira década.

 

E siga @primeirodigital.

8 destaques do Primeiro Digital

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Clique nas imagens e confira as sugestões de leitura dos posts mais recentes do Primeiro Digital.

O dia em que um rio passou na vida do Twitter

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Foi em 15 de janeiro de 2009 que @jkrums fez história ao publicar no Twitter a foto do acidente com o avião da US Airways que havia acabado de “pousar” no Rio Hudson, em Nova York. “There’s a plane in the Hudson. I’m on the ferry going to pick up the people. Crazy”, escreveu @jkrums no tweet que é considerado pelo próprio Twitter como um dos momentos mais importantes da história do site. “É a primeira da cena, dando as más notícias antes mesmo que a mídia tradicional soubesse”, destaca o site.

Em 2009, lembro, muitos veículos praticamente ignoravam o Twitter e por isso mesmo “boiavam” totalmente nas possibilidades do site gerar conteúdo-cidadão relevante. Ficavam naquela de “que troço bobo, o pessoal ficar dizendo que acordou, tomou banho, café…”. É justo que o Twitter tire esta “casquinha” do “milagre do Rio Hudson”, mas o site também foi protagonista em outros fatos marcantes – antes mesmo deste episódio (um exemplo local que já lembrei aqui foi da cobertura dos estragos provocados pelas chuvas em 2008 no Vale do Itajaí, em Santa Catarina).

O cenário hoje é outro no segmento de redes sociais. Os usuários estão mais preocupados em dizer (muitas vezes sem ler nem pensar) do que em mostrar. Em vez de repórter-cidadão, todos querem ser “comentarista com toda a razão” – é todo mundo especialista em tudo. Mas por sorte, o Twitter ainda está lá, atrás das outras redes sociais, mas na frente quando o assunto é geração de conteúdo colaborativo (procurem informações sobre trânsito, por exemplo).

Não precisa cair outro avião num rio, mas fica a dica para os colegas das redações para que não deixem de monitorar o que está sendo contado e mostrado lá na rede social do passarinho. Ou vai deixar o Twitter cantar de galo dizendo que deu uma notícia primeiro que a mídia tradicional? Pode dar junto, quem sabe. Passa lá.

Veja mais momentos marcantes na história do Twitter.

Saiba mais sobre o acidente.

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Vá além do WhatsApp

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A jornalista, professora e pesquisadora Ana Brambilia compartilhou o post com a lista de dez assuntos que se destacaram em 2015 e fez uma observação interessante em sua postagem no Facebook:

Bela lista do Alexandre Gonçalves. Da minha parte, claro, noto que não consta na lista qualquer tema sobre colaboração no jornalismo. Será que:
(a) já se tornou commoditie?
(b) tentaram e não deu certo?
(c) passou a acontecer naturalmente pelas redes sociais?
(d) putz! o público? de novo?! pelamor…

Li o comentário da Ana e fiquei pensando a respeito. Será que deixei passar algum tema relacionado à colaboração? Pensei nas alternativas sugeridas por ela, mas acabei lembrando de um fator que está atropelando esta questão de colaboração no jornalismo: o “fator WhatsApp”.

Escrevi, em resposta à Ana, que o aplicativo deu uma embaralhada nessa história da colaboração. A ferramenta, ao que parece, basta para os veículos. E não tem muito de pensar em produto com estratégia, modelo. Divulgar o número é o suficiente. Falta até filtro. Basta lembrar o que aconteceu no dia em que a justiça bloqueou o aplicativo em todo o Brasil. Por exemplo, rádios sem outros canais de participação ficaram perdidas e sem as opiniões e informações dos ouvintes.

Ficar restrito ao WhatsApp é um erro. Manter canais próprios e estratégias para estimular a participação e utilizar informações que sejam fruto de colaboração direta do público são ingredientes que não podem faltar na gestão de produtos digitais. Isso ajuda a fortalecer os laços com os leitores/ouvintes/telespectadores, a gerar fidelidade e a construir pontes que tragam mais audiência. É uma forma de mostrar, enfim, quem é (ou deveria ser) o protagonista sempre: o público.

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“Acreditamos que estaremos entregando um produto consistente e inovador”, diz gerente digital do DC

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O Diário Catarinense, jornal do Grupo RBS, estreou nesta segunda-feira (26) um novo posicionamento editorial, retomando a cobertura estadual como seu carro-chefe. No impresso, as mudanças foram pontuais, com destaque para a nova marca, enquanto no digital houve uma reformulação completa do produto. Novo layout, novas editorias, nova organização do conteúdo, com desafio e objetivo bem definidos, como diz a gerente digital do Diário Catarinense, Gabriela Silva, em entrevista ao Primeiro Digital. “Os catarinenses apreciam a boa informação e as boas plataformas digitais”, diz. “Sempre que temos boas iniciativas, o retorno é muito positivo e é por isso que apresentamos o projeto do DC ano 30 com tanta crença”.

Leia a entrevista a seguir.

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Santa Catarina mobilizada mais uma vez por causa da chuva e veículos intensificam cobertura online

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Cidades de Santa Catarina, principalmente nas regiões do Vale do Itajaí e do Norte, estão em alerta por causa da chuva que castiga o estado desde a última quinta-feira. Em seus canais próprios e seus páginas em redes sociais, os veículos locais e estaduais estão fazendo a cobertura dos alagamentos e quedas de barreiras.

No Diário Catarinense, um mapa mostra as cidades atingidas até o momento pela chuva.

Além do Diário Catarinense, outras fontes de informação sobre a chuva em Santa Catarina:

A Notícia – Joinville
Notícias do Dia – Joinville
Notícias do Dia – Florianópolis
Informe Blumenau – Blumenau
Santa – Blumenau
TV Brusque – Brusque
Município Dia a Dia – Brusque
Diário Alto Vale – Agrolândia
O Correio do Povo – Jaraguá do Sul

(Lista em atualização – acrescente sugestões na caixa de comentários ou pelo e-mail alexandre@primeirodigital.com.br)

No Facebook, as páginas dos veículos está na lista Cobertura da Chuva em SC.

Ainda sobre “Comentários na berlinda”

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Meu xará Alexandre Gonçalves, o do Informe Blumenau, reproduziu o post Comentários na berlinda do Primeiro Digital lá no site dele, fazendo algumas reflexões sobre a participação dos leitores:

É claro que o grande barato da Internet  diz respeito a esta via de mão dupla da comunicação, mas não entendo ser esta uma justificativa para abrir espaço para determinadas situações: manifestações preconceituosas, ofensas pessoais, acusações sem as devidas comprovações e os “fakes”, gente esclarecida que acha legal falar dos outros com uma máscara, escondendo a identidade e, também, os interesses. (…)

Em respeito aos leitores e aos bons debatedores, decidimos por moderar os comentários. Perde-se um pouco em agilidade, ganha se em qualidade, assim entendemos. Quando publicamos no Facebook, eles são inevitáveis. Alguns nos incomodam bastante. Mas lá não podemos fazer muita coisa.  Mas aqui no Informe, queremos contribuir com respeito, somando as diferentes opiniões.

Leia o post completo no Informe Blumenau.

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Aquela chuva de 2008

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Santa Catarina está mobilizada por conta da previsão de muita chuva. Governo, prefeituras e população estão ligados e os veículos de comunicação usam todas as suas plataformas, incluindo portais, sites e redes sociais para manter o público informado e em alerta (espero que na dose certa).

Toda a mobilização me fez voltar no tempo. Novembro de 2008, quando tivemos uma das grandes tragédias no estado provocada pelas chuvas – a primeira em tempos de redes sociais e que, na minha avaliação, continua sendo um case que ajuda a entender a importância do jornalismo cidadão.

Registrei no Coluna Extra, em post publicado no dia 24 de novembro de 2008, com o título Informação e população mobilizada pela internet. O foco era a facilidade de acesso à dados oficiais e a publicação de informações em blogs e no Twitter, um então quase desconhecido que não era usado na época nem pelos veículos nem por órgãos como Defesa Civil e Bombeiros, como é hoje.

Escrevi lá:

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