“Não temos mais palavras” ou a capa virou post de Facebook?

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Publiquei mais cedo no meu Facebook a capa da edição de hoje do jornal Estado de Minas com a pergunta “Não tem mesmo mais palavras?” por considerar um erro a solução escolhida pelo veículo diante de um fato tão relevante quanto a tragédia da lama tóxica. “Não temos mais palavras”?

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Dos comentários que meus amigos fizeram no meu post, trago para cá o do Bruno Volpato, editor do ND Online / RIC Mais, e que aponta um caminho perigoso que os jornais estejam adotando em suas versões impressas, especialmente em suas capas. Escreveu o Bruno:

Os jornais impressos estão “se adaptando” à linguagem das redes sociais, mais especificamente dos comentaristas. Acho que essa capa segue uma linha de buscar a identificação do leitor, que também fica “sem palavras” ao ver isso tudo. Só que a nossa função é outra, né, é justamente buscar e fornecer essas “palavras”. Dá um ruim de ver tanta decisão equivocada, bicho.

Faz sentido e faz pensar. Alguns jornais “arevistaram” suas capas (o verbo morreu em alguns), mas nesta do Estado de Minas não é nem revista. É post no Facebook. Só faltou #NãoTemosMaisPalavras publicada assim, como hashtag. Como lembrou o Luís Meneghim, diretor de conteúdo do Grupo RIC, também no meu post no Facebook:

A manchete funcionaria se exibisse apenas a foto e nenhum outro texto. Mesmo assim é um tiro no pé. Afinal, os leitores desejam informações, explicações, versões, fatos.

E você, o que que tem a dizer sobre a capa do Estado de Minas? Ou também não tem mais palavras?