Coronavírus: Fechar a área de comentários ajuda a combater desinformação

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por ALEXANDRE GONÇALVES

Não é hora de dar vazão nem para desinformação nem para o ódio e a estupidez. Por isso, em tempos de combate ao avanço do coronavírus, o melhor a fazer também é colocar de quarentena os espaços para participação de leitores, ouvintes e telespectadores.

Sigam o exemplo do YouTube que tirou do ar um vídeo do astrólogo Olavo de Carvalho dizendo que a coronavírus não existe. Ou do Twitter, que apagou tweets do senador (?) Flávio Bolsonaro, do ministro (?) do meio ambiente Ricardo Salles e do propagador de fake news Allan dos Santos. Os primeiros por compartilharem um vídeo do Dr. Drauzio Varella fora de contexto e o segundo por dizer que preocupação com coronavírus é fabricação da imprensa.

Isso é censura? Não, é responsabilidade das plataformas diante de uma crise de saúde pública sem precedentes onde não há espaço para idiotas atrapalharem todo o esforço de contenção da covid-19. É o bom e velho “se não pode ajudar, não atrapalha”. E um lembrete: aqui tem regras (aquela que você dá ok sem ler…).

A mesma lógica pode e deve ser aplicada aos veículos de comunicação. Nos sites, fecha as áreas de comentários é uma medida de combate à desinformação. “Sem tempo, irmão” para pré ou pós moderação. Todos sabemos como têm funcionado. Os “comentaristas de internet” (humanos e robôs) têm agido frequentemente para desacreditar o jornalismo e espalhar discurso de ódio. Ou seja, o que dizem (ou vomitam) em nada acrescentam ao conteúdo.

Mas como fica a participação dos leitores? O melhor “álcool gel” nesse caso é recorrer ao e-mail. Quer opinar? Escreva para a redação. É feita uma seleção e as mensagens podem até render novos conteúdos para o site. A medida deve ser aplicada para todos, inclusive os assinantes, no caso dos sites de jornal que fecham o acesso aos seus conteúdos. Passada a pandemia, a rotina dos comentários pode voltar a normalidade.

Não deem palco para os Dinho dos Ingleses

Sobre a participação inadequada do público, me preocupa o uso do WhatsApp nas rádios. Quem veicula áudio precisa ter um cuidado ainda maior na seleção do que vai ao ar. Mas também quem lê as mensagens enviadas pelo aplicativo precisa fazer um filtro maior se quiser seguir com o canal de participação durante a quarentena.

Por mim, não usaria mais tomando como exemplo o que ocorre na rádio CBN Diário aqui de Florianópolis. Até já escrevi sobre isso no Primeiro Digital. Os ouvintes que mandam “zap” são sempre os mesmos. E entre eles têm sempre um, um tal de Dinho dos Ingleses (até decorei para ver como a participação se repete) que segue a cartilha da turma dos citados no início do post. E o pobre do âncora precisa se virar nos 30 para ler e responder sem dizer o óbvio para o ouvinte. Chega ser constrangedor.

Melhor evitar e ocupar o tempo precioso do canhão que ainda é o rádio com informações que realmente interessam e condizem com a realidade que estamos enfrentando. É o caso da ótima entrevista feita pelo âncora Mário Mota com a pediatra Anamar Brancher sobre orientações para os pais em relação ao coronavírus. Os “Dinhos dos Ingleses” do WhatsApp podem não ter gostado (geralmente, por falta de, entre outras coisas, bom senso e empatia), mas nunca é demais ter acesso e ouvir – em casa – alguns minutos de pura sensatez.

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