WhatsApp no rádio: A falta de filtro e as constrangedoras participações dos ouvintes

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por ALEXANDRE GONÇALVES

Publiquei nesta semana um novo texto da série Mapa de Oportunidades que criei e estou produzindo para o Portal Making Of, aqui de Florianópolis. O assunto desta vez são oportunidades para os veículos de comunicação que se tornam multiplataformas investindo em ferramentas e formatos digitais como é o caso do uso do WhatsApp como canal de participação dos ouvintes.

É um ótimo recurso, mas são pelos menos dois poréns: a falta de filtro com aquilo que vai para o ar e a qualidade das participações.

“É uma piada”

Pensei nisso ao ouvir um momento muito, mas muito constrangedor durante a Vanguarda Esportiva, programa da rádio Guarujá, de Florianópolis, uma das mais tradicionais de Santa Catarina.

Foi ao ar o áudio enviado pelo WhatsApp com um ouvinte fazendo críticas e achincalhando a própria emissora, que enfrenta dificuldades para se manter e ontem (1) perdeu o narrador e apresentador Clodoaldo Pereira. A saída do profissional fez a Guarujá reduzir ainda mais sobre programação local e recorrer ao noticiário paulistano (trânsito, times de futebol…) da rádio Bandeirantes, de São Paulo. “Uma piada”, disse o ouvinte para todo mundo ouvir.

Ele não deixa de ter razão. Mas veicular o áudio mostra uma falta de cuidado e uma confiança no ouvinte que não dá para ter em tempos de lixo abundante nas redes sociais e de comentaristas de internet sem freio, sem educação e sem responsabilidade.

E pior: no caso da Guarujá, este tipo de situação só coloca mais para baixo o que já está descendo a ladeira, o que é uma pena por toda a relevância histórica da emissora e pelos profissionais que resistem e se dedicam a manter o mínimo de normalidade na emissora.

Estragaram a Vanguarda

Tudo poderia ser evitado, mas a Guarujá tomou esse caminho de colocar áudio do WhatsApp no ar e transformar a Vanguarda Esportiva, com certeza um dos mais tradicionais programas esportivos do rádio catarinense. Deram mais espaço para torcedores falarem qualquer merda, literalmente (até xingar a emissora), do que para o noticiário dos times de Florianópolis. O discurso de que a emissora dá mais espaço para o torcedor não cola: é poder demais para noção de menos (dos torcedores…)

Para quem cresceu tendo o Vanguarda como referência (voltava da escola com meu pai ao meio-dia ouvindo o programa), fica a frustração de ver no que a atração se transformou e na aposta errada de colocar praticamente tudo o que chega no ar. Perdemos todos: os ouvintes que prezam por qualidade e informação, e a emissora que dá mais um tiro no pé (o barato sai caro…).

Enquanto isso, na concorrência

Na CBN-Diário, também de Florianópolis, o uso do WhatsApp tem sido de maior utilidade com os ouvintes compartilhando informações sobre o trânsito, principalmente na programação da manhã. É até um quadro patrocinado. Raramente são veiculados áudios, mas também há momentos constrangedores quando são lidas mensagens com teor político que surgem aos montes e trazem sempre um viés de crítica à própria prática do jornalismo sério.

Entendo a postura, especialmente do âncora Mário Mota, mas essas mensagens pouco contribuem para o debate e só repetem falácias e frases feitas. De tão frequentes que são enviadas, parece até que são enviadas de forma orquestrada. E quase sempre pelos mesmos ouvintes.

Aliás, um filtro vai bem também em relação aos ouvintes que mandam zaps todos os dias e têm seus nomes e mensagens lidos nos programas. Isso é de uma pobreza sem tamanho. Sempre os mesmos (alô, Gabriel do Estreito!). Ou dão preferência (o que não acredito) ou recebem pouca variedade em termos de participantes. Num programa como o Debate Diário, líder de audiência da emissora, quanto maior a diversidade de opiniões, melhor.

O link para o texto sobre multiplataforma está aqui.

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