De usuário a prisioneiro do Facebook

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Quando os blogs surgiram lá na virada para os anos 2000 e depois com a popularização das redes sociais, uma das afirmações mais repetidas era essa: agora os pequenos podem disputar mercado em pé de igualdade com os grandes produzindo e se apoiando nos canais da internet. E isso valia para qualquer segmento, inclusive o jornalismo. Era um gás para potencializar novas ideias, criatividade, iniciativas independentes, conteúdo colaborativo, voz do cidadão…

Os grandes veículos não ficaram para trás. Alguns até demoraram, mas logo também estavam tirando proveito da chamada Web 2.0. Mas o que era para ser uma ferramenta de suporte está se tornando uma prisão. É Alcatraz 2.0: ninguém mais quer sair do Facebook. Nem tentam.

Com tantos aderindo à transmissão ao vivo pelo site (jornais, TVs…) dá para cravar que está sacramentado o domínio do Facebook como plataforma para veículos, assim como o WhatsApp está tomando conta da interatividade. O curioso é que transmissão ao vivo não é novidade na internet. Conhece YouTube? Live Stream? Periscope? Entendo que a estratégia do Facebook de oferecer este serviço é atraente, partindo da lógica de que a maioria dos veículos tem concentrado suas ações de divulgação e busca de tráfego no site – o público já está lá.

Mas isso está levando a uma acomodação. Tudo está girando em torno do Facebook, como muitos especialistas já haviam antecipado. E pouco tem importado se sujeitar às regras, ao algoritmo, ao modelo comercial do site. Firmar parceria com o Facebook deve estar na lista de desejos de muitos veículos que estão no meio do labirinto sem saber qual a saída para o negócio jornalismo.

E para quem sempre teve a tendência de aderir à novidades com a mesma rapidez com que as abandonava, até que a relação do meio digital está sendo duradora com o Facebook. Méritos para o site do Zuckerberg que entrou com os dois pés num espaço que estava vazio e quer ser cada mais o dono da bola e do campinho. E será assim até quando os veículos descobrirem que essa relação passa longe de ser do tipo ganha-ganha.