Onde está o furo?

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Num dia você lê notícias sobre demissões e projetos encerrados no segmento de jornalismo digital. No outro, índices mostrando crescimento na circulação dos jornais com forte participação do digital.

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Dá um nó na cabeça, não? É certo que viveremos eternamente nesta montanha-russa, mas dá para equilibrar as coisas desde que se estabeleça um modelo de negócio sob medida para o produto digital e que se tenha uma metodologia de trabalho clara e bem definida para ser abraçada por todos os setores da empresa.

Para estabelecer um modelo de negócio sob medida para o produto digital, comece pensando em:

– Ter público-alvo bem definido;

– Atuar em um nicho de mercado estabelecido por publico, por tema ou por geolocalização;

– Ter uma equipe pró-ativa e multitarefa que seja criativa e compreenda as características do meio digital para comercialização e para produção, organização e distribuição de conteúdo;

– Oferecer um menu de múltiplos formatos comerciais e não apenas banners;

– Optar por um projeto simplificado que atenda as demandas acima sem correr risco de querer abraçar o mundo e no fim das contas não abraçar ninguém.

Já a metodologia de trabalho clara e bem definida pode ser resumida em duas tags; sinergia e engajamento. Sem isso, nada feito. O esforço do digital só faz sentido se toda a “frota” da empresa estiver alinhada e navegando no mesmo ritmo. Só um setor puxar seu barco, solitário, é pouco.

A falta de envolvimento nem é caso de má vontade ou descrença no produto ou no trabalho feito no digital. Pode até ser, dependendo das circunstâncias internas da empresa. Mas muitas vezes é caso de estar perdido diante de mudanças no mercado ou de uma dinâmica de trabalho diferente daquela com a qual se está acostumado.

Lembro sempre do mote principal do “Quem mexeu no meu queijo?”, livro que para muitos é uma bobagem das prateleiras de auto-ajuda. A rotina dos ratinhos no labirinto muda quando o queijo não está mais no mesmo lugar. Sempre penso no desespero de um executivo do comercial de um site ou de outra mídia, por exemplo, se aquele anunciante, que ele visita todos os meses e garante ali sua meta e sua comissão, vai à falência ou decide não anunciar mais. “Cadê o meu queijo?”

É mais ou menos este o furo que a mídia precisa cobrir nos dias de hoje. O “queijo” mudou de lugar. Só falta os ratinhos descobrirem o caminho certo dentro deste novo labirinto. E os “ratinhos” somos todos nós: os jornalistas também, assim como os donos e o pessoal do comercial das empresas de mídia.

Podemos fazer o que o pessoal do marketing digital está fazendo. Eles encontraram um caminho possível e negócios surgiram estruturados a partir da oferta de conteúdo como forma de driblar bloqueadores de banners e compreender o comportamento e os interesses do público de internet. Tudo é uma questão de apostar em um modelo de negócio e estabelecer um método de trabalho prático e muito focado em resultado.

Vem daí o crescimento do marketing de conteúdo. Há uma explosão de ofertas neste segmento e com a tendência de crescer ainda mais. Tenho produzido conteúdo para uma das empresas que estão em destaque no mercado de marketing de conteúdo e a experiência tem sido bastante proveitosa. Os ganhos financeiros são em escala – quanto mais produz, mais fatura – e a produção vai de acordo com os temas e o volume indicados pelos redatores quando da contratação.

Ainda é só o começo, mas já é um caminho. Só falta o jornalismo digital também encontrar o seu.

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