Já é hora de incluir o TikTok na sua estratégia de redes sociais?

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por ALEXANDRE GONÇALVES

Fico sempre de olho quando uma nova rede social aparece desde os meus primeiros momentos de Twitter, lá em 2006/2007. Meu interesse sempre foi entender como funciona, mas também o que dá para criar a partir do que a plataforma oferece. Usar listas para reunir tweets das polícias rodoviárias para exibir notícias do trânsito é um exemplo.

Mas de uns tempos para cá – desde o Instagram, acredito – meu interesse passou a ter outro foco. Tenho me ocupado em acompanhar como as novas redes são usadas por empresas, seus social media e suas agências digitais. No momento, a curiosidade é sobre o TikTok.

A rede social chinesa, que é basicamente uma plataforma de vídeos, cresce em todo o mundo. Fala-se em um aumento de mais de 300% no número de usuários, além de ocupar a segunda posição no ranking dos aplicativos mais baixados no mundo (só perde para o WhatsApp, do Facebook). E fala-se também que 2020 será o ano do TikTok no Brasil.

Quando o auê (se fosse jovem falaria hype…) é de tamanha proporção, fico assustado. Sou dos que defendem a tese do menos é mais nas redes sociais (mais alguém?). Ou seja, não precisa estar em todas as redes para ter presença digital. Precisa estar nas redes certas. Mas nem sempre é fácil disso ser compreendido, como destaco nos cenários abaixo.

Cenário 1: A empresa / cliente

Não são poucos os que contratam agências digitais e não sabem exatamente o que querem. Em geral, querem estar em todas as mídias digitais disponíveis, que ouviram falar, mas muitos vezes o público-alvo que pretende atingir é um completo desconhecido. Quando sabe quem ele é, não levam em conta seus hábitos e onde passa a maior parte do tempo quando usa seus smartphones e notebooks.

Cenário 2: A agência digital

Por outro lado, as agências digitais têm dificuldade para convencer o cliente que a estratégia mais eficiente não é a que “empilha” redes sociais (com o mesmo conteúdo muitas vezes), mas sim a que utiliza os canais certos para atrair e conquistar o público com potencial de virar cliente (assinante, eleitor…).

Mas há também as agências (e profissionais de redes sociais) que, ao construir uma estratégia de presença digital, focam mais nas plataformas do que no perfil do cliente e nos hábitos do público-alvo. Ou será que faz sentido estar numa rede onde, efetivamente, não há ninguém interessado no conteúdo, muito menos no produto ou serviço que se quer divulgar e vender?

Mas então quando uma nova rede, como o TikTok, deve ser ignorada de cara? Não serve para nada? Serve, mas como será seu uso? O que a empresa tem a dizer, ou o que consegue ser dito (mostrado…enfim), com as características dos posts do TikTok (divertidos, meio sem noção e com potencial para viralizar)?

Há um potencial para humanizar marcas via TikTok com a exposição bem-humorada e com senso do ridículo mais frouxo. Mas isso combina com o perfil do negócio? Se não combina, é “dane-se, vamos entrar lá mesmo assim porque todo mundo tá usando”?

E é isso o que sempre me preocupa: usar por usar a plataforma e fazer um copia e cola do que funciona mesmo sem qualquer vínculo com o perfil da empresa e, pior, sem saber se o público-alvo frequenta aquele ambiente digital. Por exemplo, os usuários do TikTok são predominantemente adolescentes e jovens: vão contratar os serviços da sua financeira?

Por isso, a ideia de dedicar tempo e energia para uma nova rede social deve ser bem amadurecida. Acessar, testar a fundo e analisar o que é postado para entender a dinâmica e o que funciona e não funciona na plataforma. E é o momento de monitorar tudo o que ocorre e o que se diz sobre a rede social e que pode de alguma forma arranhar a credibilidade e colocar em risco qualquer investimento e exposição por lá.

E nem sempre são só números positivos e boas notícias. O TikTok já enfrenta algo do tipo. O site The Intercept Brasil publicou uma reportagem sobre o suicídio de jovem brasileiro transmitido ao vivo pelo TikTok e que foi abafado pela rede social. Só foi chamada a política 4h após o ocorrido. Triste e lamentável (leia a reportagem completa).

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