Por que Florianópolis não é a “Capital da Inovação” no jornalismo?

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Florianópolis é uma cidade que respira inovação. Temos um pólo tecnológico de respeito, consolidado e em crescimento. Nossa praia também é a tecnologia. Há muitas empresas de ponta, criando e fazendo realmente a diferença em diferentes setores. O movimento das startups criou raízes por aqui. E o que isso tem a ver com jornalismo? Tudo.

O futuro (que já vivemos) do jornalismo não está só na internet, mas também na inovação, na forma como pensamos a produção, a organização e, principalmente, a distribuição da informação. Ou seja, logo ali, no Celta ou na ACATE, empresas estão respirando novas ideias, novas abordagens e em algum ponto mexendo também com conteúdo. Mas por que não há uma aproximação dos jornalistas e dos veículos (mesmo os tradicionais) para levar o knowhow das empresas de tecnologia para o jornalismo?

Esta é uma questão que me inquieta há muito tempo. A chegada do projeto do Lúcio Lambranho, o Farol, me fez lembrar mais uma vez disso. O site do Lúcio é inovador na proposta editoral, mas poderia avançar e ser inovador também na plataforma e no modelo de negócio.

Já tive uma experiência neste sentido entre 2008 e 2010 quando fui editor-geral do Bipme.tv, um site de conteúdo sobre televisão que fornecia alertas sobre programação e já explorava o Twitter como segunda tela (na época, uma grande novidade). O Bipme.tv era um site de informação com DNA inovador e que, quando foi encerrado por divergência entre os sócios, tinha acabado de entrar para uma incubadora de base tecnológica, o Celta, no caso.

Na minha passagem pelo Grupo RIC, especialmente depois de fazer o Master em Jornalismo Digital do IICS / Universidade de Navarra, tentei construir esta ponte com empresas de tecnologia de Florianópolis. A ideia não foi adiante – acabei tendo que focar em outras questões -, mas basicamente eu pretendia estimular ou provocar as empresas para que criassem soluções que pudessem ser aplicadas nos produtos digitais, convergindo com TV e jornal. Batizei o projeto de RIC Mais Labs. A contrapartida para quem se tornasse fornecedor seria financeira, com parte também em mídia.

O objetivo era ter um braço de desenvolvimento maior, sem optar por criar uma empresa de tecnologia, como fez a RBS em Porto Alegre e que não pareceu ser uma saída interessante em termos de retorno sobre o investimento. Para que criar uma empresa de tecnologia se somos vizinhos do Vale do Silício brasileiro?, era o que eu pensava.

Continuo apostando nesta possibilidade. O setor tecnológico pode contribuir para o sucesso de iniciativas no jornalismo de Florianópolis. Ainda penso em colocar a ideia do labs em prática. Não tenho dúvida que o desafio seria bem recebido pelas empresas de tecnologia. E não duvido que muitos jornalistas que desejam empreender também gostariam de ter este suporte inovador para colocar seus projetos em prática. A dúvida é se as empresas de mídia estão dispostas a dar este passo e entender inovação como algo além de uma página no Facebook.

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