Você sabe o que o leitor quer?

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“Perdemos tempo discutindo plataforma enquanto deveríamos discutir o Jornalismo que fazemos. A plataforma quem decide é o leitor”.

A frase acima é de Sérgio Lüdkte, jornalista, coordenador do curso Máster em Jornalismo Digital (IICS e Universidade de Navarra), que durante muito tempo foi um dos gestores da plataforma digital do Grupo RBS, em comentário publicado no Facebook em uma discussão sobre as declarações do presidente da Ogilvy & Mather, Miles Young.

“Acreditar no fim da mídia impressa é um disparate”, afirma Miles Young

Gosto muito da frase do Sérgio. Compartilho da mesma ideia. O Primeiro Digital puxa brasa para a sardinha do jornalismo na internet. Mas o ponto de vista aqui é que os jornalistas ganham um reforço gigante do meio digital quando se preocupam mais com o que produzem e menos com o onde vão publicar – se houver um site vinculado ao jornal ou à TV, ótimo, melhor. Caso contrário, nada impede usar Twitter, Facebook ou outra rede social.

Veja a experiência do New York Times

Este é um grande desafio quando se fala em convergência de mídias. Divulgar uma informação primeiro na internet não vai matar nem o telejornal de daqui a pouco nem o jornal de amanhã.

Estamos falando, obviamente, do factual e não de reportagens especiais. É como escrevi sobre a história do cachorro que “tomou geral” da PM aqui em Florianópolis:

Primeiro, informar, no caso da publicação da foto, em tempo real, com agilidade, sempre com correção, para distribuir a novidade para seus leitores, seguidores. Depois, fazer jornalismo, ampliando a informação inicial com mais fontes, mais elementos agregados para enriquecer o conteúdo e oferecer aos leitores um produto realmente de grande valor.

Tudo é uma questão de perceber a importância em atender o público com a publicação de uma informação relevante e não para a plataforma. E junto com isso definir uma rotina multiplataforma que possa beneficiar em primeiro lugar o leitor/telespectador, sem “envelhecer” o conteúdo quando for apresentado em sua “mídia de origem”.

Na velocidade da informação que vivemos hoje, o público primeiro quer saber e depois quer saber mais. Ele tem suas preferências quanto ao formato, ao meio onde busca se informar. Mas certamente ele não escolhe A ou B porque são A ou B. Mas sim pela qualidade da informação que lhe oferecida.

Exemplo de hoje: se os leitores gostam do jornalismo que é feito pela equipe de O Sul, vão continuar assinando e lendo o jornal de Porto Alegre mesmo agora que não terá mais versão impressa, só na internet, a partir desta quinta-feira (9).

Jornal O Sul encerra versão impressa e migra para internet

Aliás, enquanto você segurava uma informação factual, mais um gol da Alemanha. Mas corre que dá tempo de virar o jogo…

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