15 anos depois: Desafios profissionais desde minha migração para o meio digital

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por ALEXANDRE GONÇALVES

Com um post de meio dúzia de palavras, eu anunciava em 23 de maio de 2004 o lançamento do Coluna Extra, meu primeiro blog. Havia experimentado o formato em outras plataformas que não o Blogger e também criado e distribuído a newsletter Alex Informa entre 2000 e 2001. Mas o Coluna foi diferente. Foi um mergulho de verdade na internet, dez anos após me formar (na máquina de escrever) em Jornalismo na UFSC.

E por isso, embora não esteja escrito no post, 23 de maio de 2004 marca também o início da minha migração da plataforma impressa para a online. E lá se vão 15 anos de desafios, satisfação, ideias, inovações, pivotadas e resiliência, mas sempre com a certeza de ter tomado a decisão certa, no momento certo.

O Coluna Extra nasceu como uma alternativa – daí o nome – para que eu pudesse escrever sobre assuntos que me interessavam e que não tinham relação com o meu dia a dia profissional como editor-chefe de revistas e guias de economia e negócios na editora Empreendedor. Abri o blog para escrever sobre música, futebol e até arriscar algumas ficções.

Só que conforme meu envolvimento com internet foi crescendo, o Coluna Extra virou meu laboratório profissional. Foi lá que descobri “manhas” do HTML, básicas, mas que me deram suporte para criar, entender e passar para colegas jornalistas, programadores e webdesigners o que pretendia ou acreditava ser o correto, o mais indicado.

Foi assim, aprendendo por conta própria no Coluna, que montei um protótipo para a própria Empreendedor. A editora já possui um site onde publicava arquivos em HTML das revistas (não tinha flip na época) e trazia diretórios de links. Como recebia muito material que acabava não publicando nas revistas, criei um protótipo em forma de blog para mostrar na prática como poderíamos ter atualização diária do site. A ideia foi aprovada e dois meses após o lançamento do Coluna Extra, a área de notícias foi implantada no site da Empreendedor e eu troquei a edição de revistas pela edição geral do site.

A criação e a dedicação ao Coluna me abriu um grande mercado. Com meu empenho somado ao apoio dos amigos que acompanharam e compartilharam meu conteúdo e ideias conquistei espaço e virei o “cara do blog”, como ouvi em alguns processos de seleção. E foram surgindo novas oportunidades, como as que destaco a seguir, e eu pude acumular experiências e aprendizados e me tornar um profissional muito melhor.

Experiências e aprendizados

clicRBS Santa Catarina

Depois da Empreendedor, fui para o clicRBS Santa Catarina trabalhar como editor de capa, o popular “capista”. Foram poucos meses – entre em janeiro e pedi demissão em novembro de 2008.

Foi especial pela convivência com uma equipe dedicada e engajada para fazer o melhor e romper barreiras. A turma já vinha com formação e outras experiências no digital. Também me ajudou a ter uma noção de edição no hard news, definir o que é mais relevante, argumentar e defender decisões. Levei para outros trabalhos muito do que aprendi a fazer no clicRBS.


BipMe

Antes do clicRBS, tive uma rápida passagem pelo Grupo RIC, contratado pelo Luciano Santa Ritta, profissional de marketing e inovação, que tentou implantar um projeto de portal de conteúdo. Não foi adiante. Mas em 2008, o Santa Ritta me chamou para gerenciar o conteúdo de um outro projeto, o BipMe, um serviço de alerta para celular sobre programação de TV, com integração inovadora de conteúdo do Twitter. Saí do clicRBS para assumir a função.

E foi uma experiência incrível porque tive a oportunidade de participar da criação de um projeto digital do zero. Trabalhei em parceria o Tatto de Castro, hoje dono da Serverdo.in, responsável pelo desenvolvimento tecnológico do BipMe. Grande aprendizado e uma parceria que dura até hoje.


Rock SC

Em 2009, coloquei no ar o Rock SC, meu projeto pessoal de maior visibilidade fora da internet e que é resultado do muito que testei e aprendi sobre curadoria de conteúdo. A “videoteca das bandas de rock catarinenses” marcou época, sem falsa modéstia. Chegou até a emplacar a hashtag #rocksc no Twitter em 23 de setembro de 2010, quando completou seu primeiro ano.

Parei de atualizar em 2012 por falta de tempo para me dedicar à pesquisa de vídeos e hoje, como contribuição e reconhecimento do trabalho do pessoal da Semana do Rock Catarinense, o domínio www.rocksc.com.br redireciona para a página com a programação do evento, marcado para julho, em Florianópolis.


Marketing digital e eleições

Encerrado o projeto BipMe, em 2010, fiz meu primeiro trabalho com marketing digital para uma empresa de tecnologia aqui de Florianópolis. Conteúdo para o Twitter e para o… Orkut. Durou até surgir um novo consultor com “fórmula mágica” querendo fazer seeding (algo semelhante ao spam) no famoso site de relacionamento para gerar um falso barulho sobre as soluções da empresa. Péssima ideia.

No mesmo ano, outro desafio: redes sociais em campanha eleitoral. Redes sociais, não, Twitter. Consegui esse trabalho de um modo inusitado. Dois candidatos haviam contratado uma agência de São Paulo para “gerenciar” sua conta no Twitter. E o resultado foi desastroso. Criaram vários perfis fakes (não é de hoje) que disparavam mensagens aleatórias citando os candidatos. Não deu outra: chiadeira de muitos usuários, eu e muitos amigos entre eles.

Fiz um print de uma sequência dos perfis fakes e mandei para uma amiga que tinha contato com as assessorias. Argumentei como a ação era prejudicial e como resposta os dois candidatos me pediram propostas para cuidar do Twitter. Fechei com um deles e fiz a campanha. Candidato não se elegeu, mas fiz ações inovadoras para a época como Twittcam (lembra?) com transmissão em vídeo e interação direta com eleitores enviando perguntas.


RIC Mais, ND Online e Grupo RIC

De 2011 a 2015, tive minha principal experiência profissional como gerente da plataforma digital do Grupo RIC. Fui indicado pelo amigo Rodrigo Lóssio, da Dialetto, e o desafio foi dos mais gratificantes. Diferente da experiência de 2007, desta vez o esforço em ter uma presença digital era conjunto, da RIC SC e da RIC PR. E profissionalmente tive um grande crescimento por gerenciar uma área / centro de custo, processos, produtos, equipe…

O principal resultado das ações foi a criação do portal RIC Mais, nome dado por mim para simbolizar a ideia de que o Grupo (TV, jornal, revistas e rádio – na época) ia além, com mais conteúdo e mais interação. Em parceria com colegas de outros veículos e principalmente com a equipe dedicado do digital conseguimos ótimos resultados em pouco mais de quatro (meses com números relevantes de visitantes únicos e page views para um portal recém-chegado e num mercado com o clicRBS já consolidado).

A boa receptividade do produto, somada à convergência com as outras mídias, ajudou na produção de conteúdo colaborativo, por exemplo, uma das forças do projeto. Numa das enchentes ocorridas em Santa Catarina, chegamos a ter quatro galerias com cerca de 50 fotos enviadas por leitores / telespectadores. Quando nevou até no litoral de Santa Catarina, em 2013, fotos recebidas pelo RIC Mais foram parar no livro editada pelo Notícias do Dia.

E como tinha sido no clicRBS, pude praticar o hard news mais uma vez, agora ao lado dos colegas do ND. A equipe do digital ficava na redação do jornal e em situações como os atentados aos ônibus em Santa Catarina, a interação das equipes fez grande diferença. Com o ND também pode agregar soluções das quais tive a satisfação de desenvolver desde o seu início, como o acordo com o LanceNet! que permitiu a criação de um canal próprio para cobertura da Copa de 2014.

Mantenho trabalhos com o Grupo RIC como a série de reportagens sobre Fake News que produzi em 2018 e no trabalho de produção e gestão de conteúdo do projeto IMPAR (onde tenho uma atuação multiplataforma indo além do conteúdo do site, assinando coluna no jornal e produzindo pautas para a RICTV).


agente informa e Primeiro Digital

Quando deixei o Grupo RIC em fevereiro de 2015, minha primeira medida foi preparar o lançamento do meu novo blog, este Primeiro Digital. Já havia registrado o domínio em 2014, por influência das aulas do curso de Master em Jornalismo Digital da IICS / Navarra, patrocinado pelo Grupo RIC.

Ao mesmo tempo, acrescentei outro foco além de trabalhar só com internet: atuar como fornecedor de conteúdo para agências e assessorias de imprensa, como prestador de serviço via agente informa – produção e gestão de conteúdo que abri em 2010 em parceria com meu amigo de faculdade Diógenes Fischer.

Não migrei totalmente para o marketing de conteúdo / digital porque minha experiência com jornalismo online me leva para trabalhos na área – como o IMPAR e as produções para o Portal Making Of e consultorias em parceria com a Serverdo.in. E quando falam que jornalismo é cachaça, é verdade. E está no menu da minha plataforma. Mas a produção para blogs, e-books, redes sociais e newsletter tem sido mais recorrente nos últimos anos, como mostro aqui no Primeiro Digital e no meu Instagram (aqui e aqui).


O que vem por aí

Sempre testei muita coisa nas plataformas onde trabalhei. Do uso de blogs, da organização de conteúdo, da curadoria de tweets, da criação de blogs coletivos, da gestão de conteúdo de redes sociais, passando pela concepção de produtos e estratégias. O mesmo está valendo para o trabalho com marketing de conteúdo.

Sigo em beta permanente, expressão que li no livro Comece por você e que reforça a busca por mais conhecimento para aprender, mas também para antecipar tendências, propor novas ideias, produtos e formatos. A atenção que estou dando aos podcasts é fruto dessa “inquietação”. E estou estudando produção e gravação de áudio por causa disso para aprender o suficiente e colocar “no ar” o primeiro projeto usando o formato.

Em paralelo ao Primeiro Digital, devo lançar até julho um novo endereço na internet, com uma abordagem diferente sobre a oferta de conteúdo. Enquanto o novo não chega, agradeço a parceria dos muitos colegas, clientes e fornecedores que fizeram parte da minha “trajetória digital”. Espero que tenha retribuído de alguma forma (qualidade na entrega dos trabalhos, sugestões, dicas de leitura e links, compartilhamento de conteúdo…) todas as oportunidades e aprendizados que recebi ao longo destes 15 anos.

Muito obrigado.

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