“O marketing digital hoje em dia exige profissionais especializados”

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Não basta ter o que dizer para aparecer, tem que saber como falar, em que espaço expressar, em que canal dizer e até em que hora comunicar. Esta é uma das afirmações do jornalista Gastão Cassel, da Quórum Comunicação, em artigo produzido para o Primeiro Digital. Ele faz uma análise sobre o uso da internet no marketing, seguindo na discussão proposta no post Menos é mais: Reduza a presença digital ao que é essencial, publicado no blog em julho.

No artigo, entre outros pontos, Cassel destaca a importância de tratar o marketing digital com profissionalismo. “O marketing digital hoje em dia exige profissionais especializados, trabalho duro que não pode ser feito por robôs. E, claro, bastante recurso tecnológico”, escreve.

Leia o artigo completo a seguir.

O fim das ilusões

por Gastão Cassel, jornalista
@gastaocassel

Desde que a internet se apresentou como possibilidade de mídia, o marketing virou de cabeça para baixo. Muita novidade, muita expectativa, muitas apostas e muitas frustrações, também.

Na primeira fase tudo era promessa, mas a mágica precisava de programadores, pois a maioria das novidades chegava nas herméticas linguagens computacionais. Estar na internet era uma quimera, um desejo que todos sabiam que se realizaria mais dia menos dia.

Primeiro vieram os sites de empresas. Eram verdadeiros cartões de visita eletrônicos, estáticos, quadrados, com poucas possibilidades de interação além de e-mail. Para mudar um texto ou publicar uma matéria era preciso ajuda de um especialista que cobrava por hora.

Depois vieram os blogs, já como matriz do “faça você mesmo”. Ao mesmo tempo as redes sociais, que antes eram só programas de chat, ganharam corpo e importância. No Brasil primeiro o Orkut, depois o Facebook.

Junto com toda a facilidade de circular no universo digital vieram algumas ilusões:

A primeira de que a internet é um espaço democrático, onde todos podem tudo.

Depois que era fácil e, logo adiante, que era barato.

O raciocínio era simples: sem precisar de programadores cada um pode publicar, mostrar seus produtos e suas ideias, fazer e acontecer sem gastar muito. No máximo se precisava da ajuda do sobrinho que sabe tudo de informática.

Mas aos poucos a internet foi mostrando que ela só reflete o que é o mundo não digital. Na internet também quem pode mais chora menos. Há concentração de meios e recursos, há monopólios de informação.

Crescendo exponencialmente, o espaço cibernético se mostrou amplo e árido. Aparecer neste universo não é fácil. E o trabalho “faça você mesmo” ganhou o mesmo espaço que, analogamente, o artesanato tem na sociedade industrial. Quase folclórico.

Hoje já está claro que aparecer na internet, ou manter uma “presença digital”, como dizem os especialistas, requer muito investimento e muito investimento. Não basta ter o que dizer para aparecer, tem que saber como falar, em que espaço expressar, em que canal dizer e até em que hora comunicar.

Hoje emerge o outro mito, que confunde digitalização com automatização. Há robô para tudo, inteligência artificial, estatísticas, métricas. Mas será que esta panacéia de termos novos substitui a ação do ser humano, a atividade “orgânica”, para usar o termo hipster.

A verdade é que os mitos da internet se esfarelaram. Sobrou um novo mercado de trabalho, novos especialistas, uma nova área de conhecimento que desafia quem quer ter sua “presença digital”.

Quem esperava facilidade e pouco necessidade de investimento pode até ter conseguido alguma coisa, mas hoje não consegue prosperar. Não dá mais para andar neste território sem mapa e GPS, não é mais caminho para amadores.

O marketing digital hoje em dia exige profissionais especializados, trabalho duro que não pode ser feito por robôs. E, claro, bastante recurso tecnológico.

Marketing digital não acontece sozinho. Usar fenômenos como algum youtuber bem sucedido com exemplo não serve, porque para cada sucesso há milhares de histórias pífias.

O marketing digital é só mais uma modalidade de marketing, e isto, desde de que existe, exige, dedicação e investimento. O resto é ilusão.