A felicidade não está online

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Sou feliz no que faço. Não tenho dúvida quanto a isso. Sigo com determinação o que defini para a minha carreira há uns dez anos: trabalhar com internet, de preferência como editor de conteúdo. Avancei até em relação a isso desde que cheguei no Grupo RIC para ocupar uma função nova na empresa, a de gerente de produtos de internet. O cargo mais voltado para a área de gestão não me afastou do dia a dia. Estou literalmente ao lado da minha equipe de editores e redatores, além de escrever, editar, cortar e publicar textos e vídeos sempre que necessário. Não sei trabalhar sem colocar a mão na massa. E como disse, sou feliz trabalhando assim.

Mas tem um porém.

Esta felicidade com frequência encontra uma barreira e fica offline. E sinto isso muito em função do que vejo diariamente na internet, seja nas redes sociais, seja na área de comentários de sites e blogs. E não é nem em relação ao trabalho na RIC, ao que comentam sobre o que publicamos aqui. É uma visão geral. Tenho a sensação de que estamos vivendo um grande desperdício ao transformar todo o potencial da internet num grande e profundo poço de rancor, principalmente. Todo mundo é dono da verdade. Todo mundo tem as respostas para tudo – até para as perguntas que ainda não foram feitas. E todos estão errados menos o eu. E no fim das contas, tudo é muito chato, muito irritante e sem propósito – a não ser polemizar por polemizar.

A internet é um campo fértil para a nossa indignação. E assim deve ser. Não defendo uma internet paz e amor. Muito pelo contrário. A felicidade da qual estou falando vem também disso. Acredito num “jornalismo de repercussão”, que pode e deve se aproveitar do que é propagado pelos internautas. O problema, na minha opinião, é como isso vem sendo feito. Abrir um post para a participação do leitor serve para quê? Fica difícil quando a gente identifica sempre aquele mesmo tipo de “leitor” que até na previsão do tempo está lá para dar sua opinião contrária e, quase sempre, raivosa sobre o assunto.

Temos saída para isso?

Artigo publicado originalmente no blog Coluna Extra, em 3 de dezembro de 2013, quando ainda estava no Grupo RIC (saí em março de 2015)

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