Pelo jornalismo digital…

Padrão

Curioso o que fez a Folha de S.Paulo durante o fim de semana da votação do impeachment na Câmara dos Deputados. Em vez de abrir seu conteúdo, manteve o paywall e deixou o acesso liberado apenas para assinantes. Não era um momento de exceção? Não costuma ser uma estratégia comum entre veículos que fecharam o acesso ao conteúdo? Bati na porta da Folha algumas vezes no fim de semana por conta disso (e você?).

Diferentemente da Folha, a Agência Estado, do Grupo Estado, liberou o acesso ao Broadcast Político, seu produto premium, durante todo o final de semana para que os leitores acompanhasse a cobertura da votação. Boa iniciativa.

Ainda sobre a cobertura, destaque para o conteúdo do Nexo, que está se consolidando como uma ótima opção para quem busca informação aprofundada e muito bem apresentada. Boas análises e abordagens diferenciadas, assim como o site do El País Brasil, outra “ilha” no meio digital na cobertura do momento político caótico brasileiro.

E a votação do impeachment serviu de oportunidade também para o lançamento do site Os Divergentes. Trata-se de uma iniciativa de um grupo de profissionais tarimbados na cobertura política de Brasília, que estavam no Fato Online até a crise de gestão que detonou o site. No vídeo abaixo, os jornalistas de Os Divergentes explica o projeto.

Por fim, destaque para o trabalho das agências de checagem de informação. Lupa e Aos Fatos produziram informações que ajudaram a tratar o panorama do que vivemos no fim de semana. E checar informações nunca foi tão importante como agora, como mostra a reportagem da BCC que diz que na semana da votação do impeachment 3 das 5 notícias mais compartilhadas no Facebook era falsas.

Acompanhe o trabalho da Lupa e do Aos Fatos pelo Twitter.


Facebook tem cada vez mais notícias e menos posts pessoais

Link

O Facebook está trabalhando para combater a queda nas postagens de conteúdo original e pessoal dos usuários, o combustível que ajuda a movimentar a máquina de dinheiro no coração de sua rede social, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

As postagens gerais continuaram “fortes”, segundo o Facebook. Contudo, os usuários têm se mostrado menos dispostos a postar sobre suas vidas pessoais devido ao aumento de suas listas de amigos, disseram as pessoas.

Em vez disso, a base de 1,6 bilhão de usuários do Facebook está postando mais notícias e informações de outros sites. À medida que o tempo vai passando, os usuários do Facebook podem, ao longo de uma década, ter adicionado muitos conhecidos como amigos.

Leia a reportagem completa no site da Exame.

Facebook engolindo jornalismo

Padrão

“Algo muito dramático está acontecendo com nosso ambiente de mídia, a esfera pública e nossa indústria jornalística, passando quase totalmente despercebida e certamente sem o nível de escrutínio público e debate que merece.

Nosso ecossistema de notícias mudou de modo mais dramático nos últimos cinco anos dos que nos quinhentos anos anteriores. Estamos testemunhando grandes saltos técnicos – realidade virtual, vídeo ao vivo, “bots” jornalísticos com inteligência artificial, mensagens instantâneas e apps de bate-papo. Estamos vendo imensas mudanças nos controles e nas finanças, colocando o futuro do setor de publishing na mão de alguns poucos, que agora controlam o destino de muitos.

As redes sociais não engoliram apenas o jornalismo – elas engoliram tudo. Engoliram campanhas políticas, o sistema bancário, histórias pessoais, a indústria do lazer, o varejo, até governos e segurança. O telefone no bolso é nosso portal para o mundo. Traz muitas oportunidades, mas também vários riscos existenciais.

O jornalismo é uma pequena atividade secundária dentro do negócio central das plataformas sociais, mas é uma atividade de grande interesse para os cidadãos.

A internet e as redes sociais permitem que os jornalistas façam melhor o seu trabalho, mas ao mesmo tempo tornam o publishing uma atividade não econômica.”

Leia o artigo completo de Emily Bell, diretora do Tow Center for Digital Journalism na Columbia Journalism School, traduzido por Sérgio Kulpas no Webinsider.

O que a redação precisa saber sobre a plataforma digital do veículo

Padrão

Depois de publicar o post sobre o fim da edição impressa do The Independent, no sábado, fiquei pensando em qual teria sido a reação da redação do jornal. Será que eles estavam acompanhando o desempenho das plataformas desde que passaram e não somente quando a direção tomou a decisão de ficar só no online? Sabiam como estava a audiência do site?

Além da experiência multiplataforma que tive no Grupo RIC, tenho atuado como consultor de projetos de remodelação de sites de jornais do interior de Santa Catarina e uma das queixas dos diretores destes veículos têm sido a dificuldade para o engajamento da redação com o online. Este é um problema cultural. Muitos colegas – de jornal e TV, principalmente – ainda não viraram a chave. No máximo, usam e nem sempre da melhor maneira, as redes sociais para adiantar conteúdos que poderiam estar nos sites. Mas ainda focam muito no seu “veículo de origem” na produção para o jornal de amanhã ou para a reportagem para TV que não funciona na internet.

Para romper esta barreira, acredito que seja necessário um trabalho formiguinha e teimoso para envolver toda a redação a partir da abertura de dados relevantes que mostrem que sim, vale a pena pensar multiplataforma. Não tem coisa pior do que ver um canal digital, com tanto potencial para levar o conteúdo do veículo mais longe, ampliar o alcance e amplificar a influência, ser tratado com desleixo, quase menosprezo – ainda.

Não resolve trocar as peças da redação e apostar somente em “nativos digitais”. Os mais jovens, como vemos muitas vezes, têm seu valor por, em tese, compreenderem melhor os tempos digitais que vivemos, mas falham na falta de vivência prática em diversos aspectos do trabalho jornalístico. E sobram erros e escolhas equivocadas em texto e edição.

Mantendo as equipes, com equilíbrio no perfil dos profissionais, seria importante montar uma estratégia que inclua alguns encontros, workshops, materiais educativos, mas principalmente o compartilhamento com frequência de dados que mostrem o valor da plataforma digital e despertem o interesse da equipe. Não faz sentido ficar apenas dizendo “vocês precisam participar”. Tem que justificar. E para isso, vamos aos números.

Continue lendo

E-book “Jornalismo sem manchete” analisa novos formatos de texto e de leitura

Padrão

A jornalista Luciana Moherdaui, uma das participantes da segunda edição da série Grandes Temas para Discussão sobre Jornalismo Digital, está lançando “Jornalismo Sem Manchete – A implosão da página estática” (Editora Senac). A versão e-book já está à venda nas lojas da Apple Store e da Kobo Store. Em sua página na internet, Luciana disponibilizou para leitura o prefácio do livro, assinado por Giselle Beiguelman, pesquisadora na área de preservação da arte digital, do patrimônio imaterial e do design de interface.

Da cultura da página à cultura dos dados

jornalismosemmancheteO livro de Luciana Moherdaui, Jornalismo sem manchete: a implosão da página estática, é muito mais do que uma discussão sobre o impacto da internet nos modos de produzir notícias. É, acima de tudo, uma longa e rigorosa pesquisa sobre os novos formatos de textos e de leitura que emergem com as redes, especialmente após a explosão das chamadas redes sociais, como Facebook, Twitter, etc. Em uma frase, é um mapeamento do terreno e de seus abalos sísmicos, contemplando, de dentro do terremoto, momentos marcantes da transformação da cultura da página em cultura dos dados.

Não se trata de um manual de redação para contextos on‑line nem de um livro de ajuda para “sobreviver” ao processo – irreversível – de digitalização da cultura. Fruto de um doutorado em comunicação e semiótica na PUC/SP, que contou com o apoio do UOL Bolsa Pesquisa, a obra de Luciana coloca frente a frente as estratégias de busca de conteúdo noticioso e de construção de sentindo narrativo dos leitores com a capacidade das empresas tradicionais de jornalismo em absorvê‑las.

Leia o prefácio completo.

Reportagem destaca projetos na área de jornalismo digital

Vídeo

O Metrópolis, tradicional programa da TV Cultura de São Paulo exibiu uma reportagem especial sobre o mercado de jornalismo digital, tendo como entrevistados os empreendedores dos projetos Fluxo, Calle2 e Nexo (este último já citado no Primeiro Digital). A reportagem foca no conteúdo e na forma e na rotina de produção. Faltou dizer como se sustentam. Mas está valendo. Mais uma oportunidade conhecer, ao menos, novas propostas editoriais.

Dica do Interatores.