Venda da RBS em Santa Catarina: O furo tem dono

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Já ouvi e participei de muitas conversas que discutem se o furo morreu com a internet, com as redes sociais e com as empresas e instituições com seus próprios canais de comunicação direta com o público. Morrer não morreu, mas ficou cada vez mais difícil furar a concorrência que não seja com investimentos na reportagem em busca de fatos e abordagens inéditas e exclusivas. Por isso, quando acontece um furo é importante que ele seja devidamente creditado.

Este é o caso da venda das operações do Grupo RBS em Santa Catarina, oficializado na tarde desta segunda-feira (7) por meio de uma videoconferência com os antigos e novos donos para os funcionários das TVs, jornais e rádios, além da publicação de um comunicado oficial no site corporativo da empresa gaúcha. O que se confirmou hoje foi dado com exclusividade no dia 5 de fevereiro pelo jornalista Paulo Alceu, então no Grupo RIC (âncora da RICTV Record e colunista no Notícias do Dia), em sua conta no Twitter.

venda da rbs

A informação correu, claro, agitou o mercado. Mas Paulo acabou apagando o tweet no decorrer do dia e não deu maiores informações no ND Online como prometia no post. Apesar de ter continuado a tratar do assunto em trocas de tweets com seus seguidores, muitos criticaram a atitude do jornalista e cravaram uma barrigada histórica do veterano profissional. De quebra, a RBS publicou um “comunicado” de duas linhas em seu site desmentindo a informação.

No dia seguinte, na edição do fim de semana do Notícias do Dia, Paulo escreveu:

A nota polêmica

Nessa sexta-feira, abordei nas redes sociais que a RBS teria concretizado a venda de suas operações em Santa Catarina para o empresário Lírio Parisotto. Pela relevância do assunto, a afirmação gerou desdobramento e muita polêmica, resultando em um desmentido da empresa. A RBS garante que o grupo não vendeu suas operações de rádio, televisão e jornal em Santa Catarina e que segue operando normalmente. A missão de um jornalista é a informação. A notícia que divulguei pode ser interpretada como precipitada. Entretanto, é comentário corrente nos meios empresariais catarinenses, principalmente no segmento da comunicação, que realmente as negociações existem, envolvendo, como revelei, o investidor Lírio Parisotto juntamente com um grupo do centro do país que opera uma rede de farmácias e um laboratório de genéricos. Especula-se que seria o laboratório EMS, do empresário Carlos Sanchez. Acrescente-se a isso, que o consultor técnico da nova organização, que se chamaria Vanguarda, seria o empresário e executivo ex-Rede Globo, Jose Bonifácio, o Boni. Evidente que um negócio de dimensões grandiosas deve ser tratado com os devidos cuidados, então vamos aguardar com atenção o desenrolar dos fatos. O tempo é o senhor da razão.

Do que escreveu o colunista, apenas a informação sobre a participação de Boni não se confirmou. E amanhã, na edição do Diarinho, jornal de Itajaí, Paulo Alceu contará em detalhes como chegou até a informação sobre a venda. A conferir. Mas antes, o justo registro para o autor do furo do ano.

E tem mais

Sobre a venda da RBS, fiz o registro no Facebook e repito aqui:

“Internet” não aparece no comunicado da RBS sobre venda. “Digital” aparece uma vez quando citam o e.bricks. As operações na área em SC – clicRBS e hagah – já tinham sido descontinuado e vendido, respectivamente, e os esforços no meio digital se concentraram e se concentram no DC e nos demais jornais. Ainda assim, mesmo incluído na plataforma jornal, faltou uma menção ao desempenho no meio digital.

Ainda sobre o assunto, recomendo a leitura da análise feita pelo jornalista e professor Rogério Christofoletti no site ObjETHOS:

Quem ganha com a venda da RBS em Santa Catarina?

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