A “gripe” da falta de verificação

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Em menos de um mês, Cacau Menezes, o principal colunista do Diário Catarinense e da RBS TV, publicou como verdadeiras uma lenda urbana sobre “uma carona que poderia acabar na cova” e um boato na linha “divulguem, por gentileza” sobre a gripe H1N1.

No primeiro caso, desmentido pela PM de Santa Catarina, traz para Florianópolis uma história de um grupo de amigas que saíram de uma balada de carona com um rapaz. No meio do caminho, o motorista parou o carro e desceu com a desculpa de que iria mijar, quando na verdade (sic) iria cavar a cova para elas. Está lá no site do Diário Catarinense, continua publicado mesmo desmentido da PM. E Cacau ainda quis sair por cima na correção da babada.

Nesta segunda, dia 4, o colunista, que no impresso ocupa duas páginas (a penúltima e a antepenúltima), postou a mensagem de um tal dr. Vinay Goyal, urgentista reconhecido mundialmente, diretor de um departamento de medicina nuclear, tiroídica e cardíaca, “a fim de contribuir para minimizar o número de casos da Gripe A, causada pelo vírus H1N1”. O texto é típico das correntes de internet e o site Boatos já havia desmascarado a farsa no final de março. Leia aqui.

Estes dois casos mostram o colunista como vítima, por causa seu próprio descuido, da avalanche de boatos que circulam de tempos em tempos, mas com maior velocidade e alcance com a chegada do WhatsApp. Mas ainda assim parece haver um erro, um descuido da direção do DC.

Cacau poderia ter postado essas duas bobagens, mas como exemplos de “informações” que estão sendo repassadas, mas que não são verdadeiras. Deem uma cópia do Manual de Verificação para ele! Prestaria um grande serviço até por ter uma longa história na mídia (está na RBS há mais de 30 anos) e público cativo que, não duvido, deve ter “comprado” as duas histórias na base do “é verdade, li no Cacau”.

Se ele não tem por hábito de confirmar aquilo que publica, que seja alertado de vez para ter mais cuidado. E pela reincidência, precisa de filtro. E aí cabe a um editor ficar responsável e muito atento até para preservar a imagem do veículo. Veja lá nos links os comentários do público.

O jornalista Cesar Valente levantou este tema no Facebook com um comentário pertinente sobre o caso do boato do dr. Vinay Goyal (que nome; será um anagrama?). Leia o que escreveu o Cesar:

O DC enlouqueceu? A RBS foi embora e tudo ficou ao Deus dará? Liberaram o Cacau para publicar, sem advertir os leitores, as correntes mais idiotas (embora sobre assuntos sérios) da internet? 

Não tem mais editor, não tem mais ninguém com a cabeça no lugar para dizer ao Cacau que não se deve publicar correntes fajutas (e antigas) de internet?

Será que nem um “sistema imunitário” no texto fez soar algum alarme em quem quer que tenha responsabilidade sobre o que o DC publica? E o que é aquela patacoada de “divulguem, por gentileza”? Saudades do orkut?

E pegando carona numa expressão que já vi o Cesar usar bastante na sua antiga coluna/blog De Olho na Capital, falta em muitos veículos um editor de VDM ou editor de Vai Dar Merda. Currículos para…

Venda da RBS em Santa Catarina: O furo tem dono

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Já ouvi e participei de muitas conversas que discutem se o furo morreu com a internet, com as redes sociais e com as empresas e instituições com seus próprios canais de comunicação direta com o público. Morrer não morreu, mas ficou cada vez mais difícil furar a concorrência que não seja com investimentos na reportagem em busca de fatos e abordagens inéditas e exclusivas. Por isso, quando acontece um furo é importante que ele seja devidamente creditado.

Este é o caso da venda das operações do Grupo RBS em Santa Catarina, oficializado na tarde desta segunda-feira (7) por meio de uma videoconferência com os antigos e novos donos para os funcionários das TVs, jornais e rádios, além da publicação de um comunicado oficial no site corporativo da empresa gaúcha. O que se confirmou hoje foi dado com exclusividade no dia 5 de fevereiro pelo jornalista Paulo Alceu, então no Grupo RIC (âncora da RICTV Record e colunista no Notícias do Dia), em sua conta no Twitter.

venda da rbs

A informação correu, claro, agitou o mercado. Mas Paulo acabou apagando o tweet no decorrer do dia e não deu maiores informações no ND Online como prometia no post. Apesar de ter continuado a tratar do assunto em trocas de tweets com seus seguidores, muitos criticaram a atitude do jornalista e cravaram uma barrigada histórica do veterano profissional. De quebra, a RBS publicou um “comunicado” de duas linhas em seu site desmentindo a informação.

No dia seguinte, na edição do fim de semana do Notícias do Dia, Paulo escreveu:

A nota polêmica

Nessa sexta-feira, abordei nas redes sociais que a RBS teria concretizado a venda de suas operações em Santa Catarina para o empresário Lírio Parisotto. Pela relevância do assunto, a afirmação gerou desdobramento e muita polêmica, resultando em um desmentido da empresa. A RBS garante que o grupo não vendeu suas operações de rádio, televisão e jornal em Santa Catarina e que segue operando normalmente. A missão de um jornalista é a informação. A notícia que divulguei pode ser interpretada como precipitada. Entretanto, é comentário corrente nos meios empresariais catarinenses, principalmente no segmento da comunicação, que realmente as negociações existem, envolvendo, como revelei, o investidor Lírio Parisotto juntamente com um grupo do centro do país que opera uma rede de farmácias e um laboratório de genéricos. Especula-se que seria o laboratório EMS, do empresário Carlos Sanchez. Acrescente-se a isso, que o consultor técnico da nova organização, que se chamaria Vanguarda, seria o empresário e executivo ex-Rede Globo, Jose Bonifácio, o Boni. Evidente que um negócio de dimensões grandiosas deve ser tratado com os devidos cuidados, então vamos aguardar com atenção o desenrolar dos fatos. O tempo é o senhor da razão.

Do que escreveu o colunista, apenas a informação sobre a participação de Boni não se confirmou. E amanhã, na edição do Diarinho, jornal de Itajaí, Paulo Alceu contará em detalhes como chegou até a informação sobre a venda. A conferir. Mas antes, o justo registro para o autor do furo do ano.

E tem mais

Sobre a venda da RBS, fiz o registro no Facebook e repito aqui:

“Internet” não aparece no comunicado da RBS sobre venda. “Digital” aparece uma vez quando citam o e.bricks. As operações na área em SC – clicRBS e hagah – já tinham sido descontinuado e vendido, respectivamente, e os esforços no meio digital se concentraram e se concentram no DC e nos demais jornais. Ainda assim, mesmo incluído na plataforma jornal, faltou uma menção ao desempenho no meio digital.

Ainda sobre o assunto, recomendo a leitura da análise feita pelo jornalista e professor Rogério Christofoletti no site ObjETHOS:

Quem ganha com a venda da RBS em Santa Catarina?