#Newsgeist Latam: anotações de um espírito de tempo no Jornalismo contemporâneo, por @anabrambilla

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O Newsgeist aconteceu neste fim de semana em São Paulo, como você pode acompanhar pelo  Twitter, com a participação de jornalistas, professores, pesquisados e empreendedores do Brasil e de outros países. A colega Ana Brambilla publicou um ótimo material no Medium com suas considerações sobre o que foi discutido durante o evento. Leitura recomendada.

Neste fim de semana aconteceu o 1º #Newsgeist Latam, promovido pelo Google, em parceria com o Knight Foundation, na FAAP, aqui em SP. Foram mais de 150 jornalistas e desenvolvedores reunidos num esquema “barcamp” e, ao menos para mim, o evento cumpriu com sua missão, de evidenciar o “espírito do tempo” atual no Jornalismo.

O cenário, no entanto, é desalentador. A maior parte dos temas propostos discutia modelos de negócio, algo que vejo acontecer em eventos desse tipo há mais de 10 anos. Mesmo as rodas de discussão que prometiam discussões diferentes, como “inovação em notícias” ou “day after da morte da mídia tradicional”, acabavam no bate-cabeça dos modelos de negócio. Uma discussão estéril quando vem desacompanhada da discussão sobre relevância. Mas não encontrei muita gente a questionar a essência dos conteúdos, além da Adriana García.

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O pior cego é o que não quer ver

Um colega do El País, da Espanha, propôs uma mesa sobre “o day after da morte da mídia tradicional”. Participaram apenas 8 pessoas. Isso demonstra o quanto nossa comunidade ainda nega o próprio estado terminal. No fim, ele queria — de novo! — discutir modelos de negócio para o Jornalismo de sempre. Mas no dia anterior, alguém propôs uma mesa sobre Jornalismo hiperlocal, onde não foi absolutamente ninguém, segundo Carol Soler. Esses dois exemplos falam demais sobre o desinteresse que a comunidade de jornalistas tem em relação ao que pode ser o real problema e um possível germe da solução.

Tanto admitir que o fim do Jornalismo do jeito que conhecemos está próximo quanto cogitar uma mudança de base nas nossas rotinas de produção são exercícios dolorosos e não trazem respostas imediatas. Mas é PRECISO passar por eles para chegar nas respostas e não apenas passar verniz na madeira podre. Enquanto muitos colegas se encantam com o brilho do verniz dos modelos de negócio, prefiro sujar as mãos e cavar no bolor para trocar os barrotes dos critérios de noticiabilidade. Não é uma tarefa glamourosa nem simpática. Não tem editais para bancar as contas e nem grana de investidor internacional. Mas ou a gente encara o problema do Jornalismo pelas suas bases — e elas estão no sujeito social do século XXI -, ou ele morrerá vítima do próprio ego. Quem topa?!

Leia o texto completo no Medium da Ana Brambilla.

Leia também o relato do colega Evandro de Assis.

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