O fim do Storify: Decisão econômica ou sinal de que não precisamos de curadoria?

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O que significa quando um serviço é encerrado e um amigo marca você na notícia sobre o assunto? Que você é usuário desse serviço? Sim, mas neste caso vai além disso.

Meu amigo Diêgo Deyvison, desenvolvedor web do Grupo RIC, deu RT no Twitter no post do Canal Tech sobre o fim do Storify e me marcou porque usei e sempre fui um entusiasta do serviço, uma plataforma para reunir conteúdo de redes sociais como Twitter, Facebook, YouTube, Flickr e Instagram.

O fim do Storify acontece no dia 16 de maio de 2016. De acordo com o Canal Tech, os atuais usuários ainda poderão criar novas histórias até 1º de maio. Mas desde hoje (12), não é mais possível criar novas contas. Com sucesso entre jornalistas e veículos, o Storify foi comprado pela Livefyre, plataforma de curadoria e comentários em tempo real, que mais tarde seria comprada pela Adobe. Comprando uma licença da Livelfyre ainda poderá ser possível usar um serviço “Storify 2”.

Fácil de criar narrativas

Comecei a usar em 2011, mesmo ano em que o Storify foi lançado. Meu primeiro conteúdo criado ainda está lá, no meu antigo blog, o Coluna Extra. O assunto era uma fuga de presos da Penitenciária de Florianópolis.

A facilidade de criar narrativas usando o que é publicado nas redes sempre foi um grande atrativo. E que me levou a optar pelo Storify, por exemplo, na cobertura do Notícias do Dia das manifestações de 2013 de Florianópolis. Foram conteúdos de grande audiência na época e seguiu uma dinâmica muito simples.

Fiquei na redação atualizando o Storify, recebendo informações das equipes do ND, da RICTV e da Rádio Record. Em paralelo, monitorava posts nas redes sociais, especialmente Twitter e Instagram, e fazia a curadoria. Quando encontrava conteúdo relevante (fotos, principalmente), “puxava” para a cobertura/timeline do tempo real via Storify, sempre dando o contexto, integrando ao que a equipe estava reportagem das ruas.

Em muitas palestras e oficinas que dei nos últimos anos, quando o tema era redes sociais, também fazia questão de apresentar o Storify. A sugestão era usar o serviço em cobertura de eventos. Não tenho informação se quem me viu falar do Storify ficou tão empolgado para usar, mas que causava boa impressão, isso causava.

A decisão parece ser uma decisão mais de negócio do que de utilidade da ferramenta. Mas também dá para especular que o fim do Storify possa significar que as redes sociais se resolvem sozinhas com o público. Ou seja, os leitores já são impactados pelos conteúdos porque passam mais tempo no Facebook e no Instagram e mesmo com algoritmo acabam se dando por satisfeitos. E a curadoria via Storify acaba perdendo o sentido. Será que é isso?