Criando podcast: Já fui “podcaster” e não lembrava

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por ALEXANDRE GONÇALVES

Faz 3 anos que julho a novembro são meses de grande volume trabalho para mim por causa do projeto IMPAR, do Grupo RIC, de Santa Catarina, em que “jogo nas onze”, atualizo conteúdo do site, faço as pautas para reportagens de TV e edito coluna no Notícias do Dia. Neste ano, ainda estou responsável pela edição final da revista Anuário IMPAR (volta às origens) e também da ancoragem dos dois episódios do podcast para o projeto proposto por mim.

Por causa disso, estou postergando as gravações dos episódios do meu podcast. Isso não significa que não esteja arrumando tempo para estabelecer o perfil do podcast, as pautas, o modelo de produção e a rotina para fazer tudo de modo independente (dia de gravar, dia de editar, dia de publicar…). E como avanço, defini como será meu podcast. Conto mais tarde para vocês.

O problema é que uma lembrança compartilhada no Twitter fez eu lembrar que lá em 2008 eu fiz um podcast em tempo real. E foi sensacional.

Quem lembra do Gengibre?

A lembrança apareceu na timeline da Rosana Hermann, referência em conteúdo na internet (pioneira e autora de dois ótimos livros: Um passarinho me contou e Celular, Doce Lar). Ela lembrou do Gengibre, projeto do ex-VJ da MTV, Cazé Peçanha, que tinha como premissa ser o “Twitter de voz”.

O Gengibre não era um aplicativo – nem tinha smartphone na época (meu celular era um daqueles flip, como podem ver na foto). Era uma espécie de “secretária eletrônica” com rede social para as pessoas aliviarem a garganta, como dizia o lembra do serviço.

Funcionava assim:

    • Você criava a conta no Gengibre, do mesmo momento que você criava uma conta no Twitter, por exemplo.
    • Dentro do Gengibre você tinha um perfil e podia seguir e ouvir o conteúdo dos outros usuários.
    • Para produzir seu conteúdo, era simples. O Gengibre tinha um número de telefone que funcionava como uma central.
    • Rolava uma mensagem gravada pelo Cazé e dava os comandos para o usuário gravar seu “post”.
    • Encerrada a gravação, o Gengibre a colocava automaticamente na timeline ou na playlist do usuário, que poderia compartilhar para outras redes e embedar em posts de blogs, por exemplo.

Sendo “rato de rádio”, como já contei aqui no Primeiro Digital, gostei demais do Gengibre e passei a testá-lo, sempre em busca de uma boa ideia ou uma boa ocasião para usá-lo à vera.

O cara do Avaí

A ocasião apareceu no dia 11 de novembro de 2008, jogo decisivo do Avaí pela série B de 2008, valendo acesso para a série. E a ideia foi fazer a cobertura em tempo real, uma cobertura de torcedor, desde a saída (aquela fila interminável) para o estádio da Ressacada até a vibração da torcida com a conquista do acesso.

Para divulgar a cobertura para quem ainda não era usuário do Gengibre, antes de sair de casa para o estádio, publiquei um post no meu blog Coluna Extra e coloquei um player para mostrar todas as gravações da cobertura. E a repercussão não poderia ter sido melhor.

Memória no Coluna Extra: A hora e a “voz” do Gengibre | Coluna Extra via Gengibre | O que mais posso dizer?

Além de oferecer uma cobertura diferenciada, o que fiz também ajudou a mostrar a aplicação prática de uma nova e inovadora ferramenta para produção de conteúdo para internet. Recebi mensagens de colegas e o próprio Cazé comentou e nas entrevistas sobre o Gengibre passou a citar o que “o cara do Avaí” fez como case das possibilidades de uso da ferramenta. Ae, ae, sensacional, sensacional, como diria Cazé em seus tempos de VJ…

O Gengibre está fora do ar faz tempo e os arquivos dos áudios que gravei (foram 11) não estão mais online (acho que devo ter os arquivos mp3 guardados em algum pen drive; achando, compartilho aqui).

Mas o que muda nos meus planos para meu podcast com a lembrança do Gengibre?

Na prática, nada. Só faz eu lembrar que fui podcaster um dia. Mas bateu aquela vontade de fazer também um formato de podcast mais dinâmico, mais em cima do lance, quase em tempo real, para publicação e compartilhamento rápido, como era a ideia do Gengibre. Sabe por quê? Porque às vezes a gente precisa mesmo aliviar a garganta – nem que seja via WhatsApp…

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