A crise da “falta de assunto”

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por ALEXANDRE GONÇALVES

Quem acompanha o Primeiro Digital pode perceber que a maioria dos posts nasce de “cliques” sobre algum tipo de conteúdo ou ação. Em paralelo, mantenho uma rotina de anotar ideias que podem virar assunto aqui no blog. Mas nos últimos dias, antes mesmo do último post publicado (em 28 de dezembro), a rotina de atualização tem esbarrado numa sensação de esgotamento.

Não é falta de assunto. É cansaço ou esgotamento mental para transformar os “cliques-pauteiros” em posts. As reações nas redes sociais, principalmente no Twitter, parecem bastar e não há mais nada a dizer sobre o tema. Na verdade, há, mas nestes tempos de insanidade geral onde se faz campanha – com fake news – contra vacina/vida, o like, o RT e até mesmo o comentário com um gif estão sendo suficientes para “desopilar”.

É o preço de (ainda) estar em redes sociais. Mas também é, como já escrevi aqui, uma questão de resistência. Queria ter abordado muitos dos temas que pintaram nas redes sociais. Das mentiras absurdas da turma do (des)governo sobre vacina ao honroso trabalho de denúncia das baladas “covid fest”, passando pela merecida desmoralização do ministro da Saúde em forma de memes.

O “te arranca, mandrião” das redes sociais no Trump é outro assunto palpitante para o Primeiro Digital, sob diferentes aspectos, mas principalmente pela questão do uso de plataformas de terceiros como meio de comunicação (com suas regras e que precisam ser respeitadas).

A volta das paradas no cercadinho do Alvorada para aqueles momentos de falas absurdas e desprezíveis (quase sempre para desviar o foco da incompetência e das falcatruas) também foi para a lista de pautas.

Primeiro, pela discussão que está sempre em pauta: compartilhar ou não?  E segundo: repararam que a Globo e a Globonews não mostram mais os vídeos das falas nos cercadinhos? As aspas são mostradas na tela e lidas pelos apresentadores. Ótima medida.

Até temas como a opção do comentarista Mauro Cesar Pereira de deixar a ESPN porque não quis aceitar um contrato de exclusividade me animou para levantar outra vez a bola dos benefícios que a internet trouxe para os jornalistas.

Mauro estava na TV, mas tornou-se multiplataforma com blog no UOL, canal no YouTube, conta (atuante e combativo) no Twitter, podcasts (mais de um), além de colunas em jornais, trabalhando para diferentes empresas. Ele optou em seguir assim, mesmo com assédio da Globo, e adicionou a plataforma de streaming OneFootball ao seu menu de clientes.

Por fim, mesmo com a sensação de esgotamento, não cansei do blog. O formato e o Primeiro Digital continuam sendo e funcionando, como sempre destacado, ponto de referência para o compartilhamento de ideias mesmo que o imediatismo das nossas reações e indignações possam sugerir o contrário. Sigo aqui, lá (no Twitter) e em qualquer lugar, observando, resistindo e buscando novos “cliques”.

Ufa! A crise da “falta de assunto” passou…

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