Folha barra quem usa bloqueador de anúncios; será que é a solução?

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Quando trabalhei em publicações de economia voltadas para novos empreendedores, ouvia com frequência o termo “tropicalização” para destacar redes de franquias estrangeiras que adaptavam modelos, cardápios e serviços ao mercado brasileiro. Pensei nisso lendo a notícia que a Folha de S.Paulo adotou a estratégia de barrar o acesso de usuários que tenham bloqueadores de anúncios instalados em seus navegadores.

Lá no meio do texto em que anuncia a decisão, casos como os de veículos estrangeiros são citados como inspiração na guerra ao AdBlock, a extensão mais instalada no Google Chrome. Mas será que a Folha “tropicalizou” a estratégia? Avaliou o comportamento do leitor não-assinante antes de adotar a medida? Ou fez porque fizeram lá fora e se fizeram, é bom? Leitores são iguais em qualquer parte do mundo?

Diz a Folha, que o “sistema adotado pelo jornal detecta visitantes que têm a extensão ativa e uma tela informa que para usufruir do conteúdo é necessário desativar o bloqueador”. De acordo com o Meio & Mensagem, entre 15% e 20% dos visitantes da Folha usam ad blockers, número que é a média entre os 80 sites auditados pelo IVC.

Não sou contra ações que visem a remuneração de sites e blogs. Pelo contrário, acredito que este continua sendo o grande tema para discussão no jornalismo digital – e que não é um problema apenas do dono do veículo ou da turma do comercial. É de todos. Mas não vejo muita efetividade nessa guerra ao AdBlock. Soa mais como uma ação para espantar o leitor.

Por mais que a Folha invista na produção de conteúdos exclusivos, não creio que só por isso o leitor barrado na porta por usar o bloqueador irá virar assinante. Não duvido que os maiores acessos da Folha sejam notícias do “efervescente” cenário político. Hoje, assinaria o Nexo, por exemplo, por me parecer um jornal online realmente diferente e que foge da oferta de notícias que temos por aí.

Quem pagaria para algo que está em outros sites e circula até em excesso nas redes sociais? E o curioso é que ações como essa surjam em momentos em que a qualidade do jornalismo em geral – e também o do Folha – é duramente questionada (e não falo de questões partidárias). Melhor aprimorar o produto antes de qualquer coisa para, de fato, acertar na mosca.

Leia a notícia sobre a decisão da Folha (se não tiver AdBlock…).

Ou leia mais no Meio & Mensagem.