Da ideia para o negócio: O desafio do jornalista que quer empreender

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por ALEXANDRE GONÇALVES

Na tarde da última sexta-feira (28), estive na sede da ACI – Casa do Jornalista, aqui em Florianópolis. Fui a convite do meu amigo Lúcio Lambranho, que teve seu projeto Farol Insights aprovado no Cocreation Lab ACI, a primeira pré-incubadora específica para a área de comunicação e que conta com a parceria do Sebrae.

Os projetos aprovados estão passando por uma etapa de análise com o objetivo de medir o nível de comprometimento e a capacidade de tirar a ideia do papel. Depois, será feito um diagnóstico para verificar qual ou quais projetos têm potencial para prosseguir no projeto.

A conversa com o Lúcio teve como motivação, claro, a nossa amizade de mais de 20 anos e de muitos projetos em parceria, como a revista Jovem Empreendedor e a chegada dele no Grupo ND, retornando de Brasília para implantar o núcleo de jornalismo de dados e jornalismo investigativo no Notícias do Dia. Mas também marcamos o café para falar sobre modelo de negócio e formatação de produto / serviço na área de comunicação e jornalismo.

Informação estratégica para tomada de decisão

O conceito do Farol Insights, que é de certa forma uma continuidade do Farol Reportagem (saiba mais aqui), é parecido com um projeto que desenvolvi em 1999, chamado “Boletim Estratégico”, que foi aprovado (pelo plano de negócio e pela banca) para entrar na incubadora CRIE. Era uma iniciativa da UFSC em parceria com o Sebrae com o objetivo de criar a primeira incubadora de negócios na área de Ciências Humanas. Acabou não sendo implantada, mas ficou a ideia.

O mote era simples: usar técnicas do jornalismo (coleta e formatação de informações) para uso estratégico pelas empresas na concepção de planos de negócios, planos de marketing, planos de expansão, benchmarking e outros. Meu nickname e o nome da minha empresa vem daí: Agente Informa – O segredo está na informação.

Ainda guardo o plano de negócio do “Boletim Estratégico” e compartilhei alguns trechos com o Lúcio. E a conversa girou em torno da formatação de produtos e serviços. Este é sempre um grande problema nos projetos de jornalistas. O conteúdo é sempre o menor dos problemas para profissionais experientes como no caso do Lúcio, que tem a parceria de outro fera do jornalismo de Santa Catarina, o Fábio Bispo. A dificuldade é “empacotar” e dar valor para o que se deseja entregar.

O café rendeu. Chegamos a algumas possibilidades sobre como o Farol Insights pode formatar o serviço que pretende realizar. Deu para visualizar ofertas com diferentes entregas, a partir da capacidade da dupla Lúcio e Bispo de gerar informações relevantes para empresas basearem suas decisões.

Conceito forte para gerar receita fora do digital

Eu e o Lúcio já estávamos encerrando a conversa quando chegou o jornalista Billy Culleton na sala que a ACI transformou no “coworking” dos projetos do Cocreation Lab ACI. O Floripa Centro, site hiperlocal criado pelo Billy com foco no Centro de Florianópolis, também foi aprovado. E a conversa prosseguiu sobre modelo de negócio, formatação de produtos, geração de receitas, linha editorial, produtos derivados… “Juntamos as mesas”, digamos assim.

Já tinha falando do Floripa Centro aqui no Primeiro Digital e já tinha comentado com o Billy a respeito do potencial do site. Hiperlocal e num momento especial da cidade com valorização de espaços na região Leste da Praça 15 (feira, bares, ocupação…) e revitalização de outros como o gerado pela reabertura da Ponte Hercílio Luz. Ou seja, um site especializado no Centro criado no local e na hora certa.

A cobertura feita pelo Billy, jornalista argentino que adotou Florianópolis e que foi editor do Diário Catarinense por muitos anos, além de professor de jornalismo, tem sido interessante e equilibrada. O site traz reportagens factuais (não é só oba-oba) e outras especiais com aspectos históricos e curiosos sobre a região.

Ou seja, assim como no caso do Lúcio e do Bispo, produzir conteúdo não é problema para o Billy. Falta encontrar o caminho da viabilidade comercial. Só os centavos do Google não resolvem. A aposta deve ser sempre nos “tijolos”, somando diferentes possibilidade para geração de receitas. Mas o legal no caso do Floripa Centro do Billy é que o conceito do site é muito forte e vendável. O conteúdo é atrativo, o timing é ótimo.

Por isso, o desafio maior é aproveitar esse potencial fora do site. Modelo UOL: não é o conteúdo que paga a conta. São os outros serviços e produtos comercializados que bancam o conteúdo. Uma ideia seria usar o Floripa Centro como um selo de qualidade e referência para criar eventos, livros, guias e até “folha de bar” para gerar receita para manter e expandir a produção do conteúdo – além da remuneração adequada e merecida para quem produz com qualidade.

Torço para que o Billy e o Lúcio consigam viabilizar seus projetos, trocando experiências, compartilhando dúvidas e incertezas e tendo apoio para ir além do papel. E que outros jornalistas se interessem mais em aprender o caminho que leva uma ideia a se transformar um negócio rentável. Ou, se for o caso, até a descartar uma ideia que se prove ruim, aquele desejo pessoal, mas sem potencial para vingar como negócio.

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