Vacilos na cobertura da pandemia do coronavírus

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por ALEXANDRE GONÇALVES

A cobertura da mídia tem sido fundamental na pandemia do coronavírus. TVs, sites, jornais e rádios fazem o que um certo governante deveria fazer mas não faz, muito pelo contrário. Ainda assim, há que se cuidar para informar a população com objetividade e clareza redobrada. É disso que trato a seguir.

Ao longo deses longos dias de isolamento social, reuni alguns exemplos do que considero pequenos vacilos, mas que merecem atenção – ainda que entenda o momento intenso e estressante pelo qual estão passando as redações de um modo geral.

Localização

Em todas as plataformas, a localização deve ser um item indispensável nas manchetes. A pandemia é global, mas o interesse é local. Todo mundo quer saber como está a situação no seu estado, na sua cidade, no seu bairro e na sua rua.

Não colocar a cidade, por exemplo, fica parecendo caça-clica, se não foi erro de edição. Acho correto o que faz o pessoal do jornal O Município, de Brusque (SC). O print que usei no post com o depoimento do Andrei Paloschi, diretor de jornalismo e operações, mostra que é hora de ser redundante.

O jornal – site é de Brusque, mas isso não impede que Brusque esteja nas manchetes para reforçar o local das notícias referentes ao coronavírus. É assim que tem que ser, na minha opinião.

Uso de fotos

O uso de fotos também merece atenção. Tenho dois exemplos sobre isso.

O primeiro foi estranhar um site de notícias usar uma foto de um banco de imagens grátis, o Pexels. É a foto abaixo da moça de máscara escolhendo frutas num supermercado.

Algum problema usar banco de imagem? Nenhum, mas para ilustrar uma reportagem jornalística desconsidero a opção. Estamos falando de realidade e usar uma foto nitidamente produzida parece preguiça e pouco honesto.

O outro exemplo é a foto usada pelos colegas do portal NSC Total.

A notícia é sobre testes com pacientes com Covid-10 realizados na China. E a foto é de uma fila tendo o Mercado Público de Florianópolis. Achei a escolha estranha. E ficou mais estranha ainda quando surgiu na minha timeline do Facebook compartilhada por um amigo e sem o texto-legenda “Testes foram feitos…”.

Ou seja, apareceu apenas a foto do link (é Florianópolis!) e a manchete incompleta como no print abaixo. Cliquei com fé pensando tratar de algo aqui de Florianópolis e que os cientistas fossem os da UFSC. Nada disso. Fui contagiado pela imagem…

Contexto

Não é tempo para brincar com assuntos sérios. Memes estão liberados, mas tem que deixar claro que é um… meme. O que não pode faltar é contexto para que a informação seja dada corretamente ao público.

Veja o que fez o colunista Cacau Menezes na semana passada em seu quadro no Balanço Geral, da NDTV, onde estreou no último dia 6 de abril depois de 40 anos de RBS/NSC.

Cacau leu uma nota sobre um surfista que iria para o mar pegar onda mesmo com a proibição decorrente do isolamento social decretado em Santa Catarina. Encerrada a nota, Cacau exibiu um vídeo onde apareceu um suposto surfista com sua prancha correndo para o mar sendo recebido por um suposto policial atirando para o alto e espantando o “infrator”.

O vídeo de poucos segundos começou sem maiores explicações e o mesmo se repetiu após seu encerramento. Não se sabe onde ocorreu o fato e nem mesmo se é um vídeo verdadeiro ou um esquete de humor.

Ficou totalmente sem contexto para quem assistiu. E numa praia conhecida como ponto do surfe, como é o caso de Florianópolis, ficou ainda mais esquisito aquilo ser exibido sem maiores informações. Uma pena a falta de cuidado.

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