Mapa Mental 🤔 #32 | Checagem para ir além do desmentido

Padrão

por ALEXANDRE GONÇALVES

Nesta edição do Mapa Mental:

– Checagem para ir além do desmentido
– Como a não-exibição de likes influencia no fact-checking
– Quase um novo passarinho na Disney
– Insights para marketing de conteúdo e produtos digitais
Blog (novo) na área


Checagem para ir além do desmentido

Uma foto fora de contexto, compartilhada nas redes sociais e até em sites e colunas online, levou a Agecom, a agência de comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) a adotar uma rotina de checagem de fatos e compartilhar a informação correta.

Os alunos da UFSC estão em greve contra os cortes de recursos feito pelo Ministério da Educação. Uma foto do lado de fora do Centro de Convivência, como alvo de vandalismo, com uma grande quantidade de lixo e entulho foi compartilhada nas redes sociais como sendo exemplo da bagunça (festas, excessos…) que os estudantes estariam fazendo em vez de frequentar as aulas.

O que fez a Agecom? Foi além de desmentir e adotou a Confere UFSC, uma metodologia de checagem do que é dito sobre a universidade na mídia tradicional e na mídia digital. Diz a Agecom que:

A preferência é de afirmações feitas por personalidades de destaque, a assuntos de interesse público (que afetem o maior número de pessoas possível) e/ou que tenham ganhado destaque na imprensa ou na internet recentemente. Preocupa-se, portanto, com “quem fala”, “o que fala” e “que barulho faz”. O Confere não checa opiniões (a não ser que estas opiniões distorçam fatos acerca da Universidade).

De acordo com a metodologia adotada, após a análise, a frase/conteúdo recebe uma classificação:

  • CONFERE, quando a informação está comprovadamente correta;
  • CONFERE, MAS para quando a informação está correta, mas o leitor merece mais explicações; e
  • NÃO CONFERE para quando a informação está comprovadamente incorreta.

Saiba mais sobre o Confere UFSC.

Confere UFSC na prática

Sobre a foto que motivou a rotina de checagem, a Agecom verificou que NÃO CONFERE. Na verdade, o que os estudantes fizeram foi um mutirão de limpeza do prédio, que precisa de reformas e não há recursos para isso, com o objetivo de usá-lo como base das atividades da greve. Veja a checagem completa.

Como a não-exibição de likes influencia no fact-checking

Interessante avaliação feita pela jornalista Cristina Tardáguila, fundadora da Agência Lupa, uma das agência de checagem pioneiras no Brasil. No artigo O mundo ‘pós-likes’ pode colocar o fact-checking em xeque, ela diz que a não-exibição pública de métricas (como likes, views…) pode “afetar em cheio o trabalho dos checadores de fatos no mundo todo e, em consequência, ampliar o grau de desinformação nas redes sociais”.

“Sem saber quantos likes um conteúdo ou uma pessoa têm, as redes sociais sobreviveriam apenas pela qualidade real daquilo que comportam”, diz. Segundo ela, o trabalho dos fact-checkers de todo o mundo depende – e muito – das métricas produzidas pelas redes sociais. “Qualquer alteração na exibição delas deveria passar por uma discussão com os checadores”, explica.

Cristina escreve que “é com base nas métricas que as equipes determinam o que merece atenção imediata, com base no potencial de viralização indicado pelos dados”. “Imagine agora como seria se todas as redes sociais retirassem dos checadores a informação sobre qual texto, imagem e vídeo falso está sendo mais espalhado pela rede”.

Leia o artigo completo.

Quase um novo passarinho na Disney

O que seria do Twitter hoje se a Disney tivesse levando adiante o plano comprar a rede social do passarinho?

Essa possibilidade existiu, mas não foi adiante porque, na última hora, a empresa do Mickey ficou com receio da toxicidade do Twitter. A revelação é do CEO da Disney, Bob Iger, em entrevista ao New York Times. Diz o executivo:

“A grosseria é extraordinária. Eu gosto de olhar meu feed de notícias no Twitter porque quero seguir 15, 20 assuntos diferentes. Daí você vira e olha para suas notificações e você imediatamente diz: ‘Por que eu estou fazendo isso? Por que tenho que aguentar essa dor?’ Como muitas destas plataformas, elas têm a habilidade de fazer muito bem em nosso mundo. Elas também têm uma habilidade de fazer muito mal. Eu não queria assumir isso”.

Sobre Twitter tóxico

Mesmo com os dois lados da moeda destacado na frase de Iger, o Twitter tóxico parece não dar sinais de reversão ou de um uso mais responsável. A gestão da rede social parece não dar conta de filtrar robôs e usuários infratores. E depender de boas atitudes das pessoas em redes sociais é cada vez mais um caso perdido. Cabe a reflexão sobre a validade de estar nesse ambiente.

Insights para marketing de conteúdo e produtos digitais

Excelente entrevista do Cassio Politi com Joe Pulizzi, especialista em marketing de conteúdo, palestrante e autor de livros como “Conteúdo S.A.”, “Marketing de Conteúdo Épico”, entre outros. Na conversa, Pulizzi faz análises interessantes sobre as estratégias de monetização que as empresas de mídia estão adotando. “Estou vendo que hoje a inovação está do lado da divulgação”.

Assista.

Dica do @diogenesfischer.

Blog (novo) na área

O jornalista Cesar Valente está de volta à blogosfera. Desde 2014, quando encerrou o seu De Olho na Capital, Cesar compartilhava seus textos sobre política, mídia, modos e costumes de Florianópolis em sua conta no Facebook. “Em 2014 achava que não era mais necessário ter endereço próprio. Em 2019 mudei de ideia”, escreve na casa novo: cesarvalente.com.

 

Mapa Mental é a coluna de notas e insights do Primeiro Digital. Sempre às terças uma nova edição.

Todas as colunas.


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