Mapa Mental 🤔 #21 | As fake news vão ao cinema; e mais

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por ALEXANDRE GONÇALVES

Nesta edição:

– As fake news vão ao cinema
– “Aí sim fomos surpreendidos” (ou tapeados)
– Intercept além da #VazaJato
– Podcasts devem faturar US$ 1 bilhão
– Obrigado, leitor
– Não há limites para uma selfie…


As fake news vão ao cinema

Nos quadrinhos e nos desenhos animados, desde sempre JJ Jamerson, editor do Clarim Diário, perseguiu o Homem-Aranha e para provar sua tese de que o herói era, na (sua) verdade, um vilão. Para isso, não abria de mão de inventar histórias, distorcer fatos e estampar manchetes mentirosas na capa do jornal. Ou seja, as fakes news fazem parte do “cânone”, como dizem os nerds, das aventuras do “Amigão da Vizinhança” criado por Steve Ditko e Stan Lee para a Marvel.

Agora, nos cinemas, “Homem-Aranha: Longe de Casa” insere as notícias falsas e a manipulação da opinião pública como elementos centrais do filme. Na trama, Mysterio, um dos vilões clássicos do universo aranha, cria ameaças com truques de imagem e drones e ele mesmo as combate e as vence. Tudo para se tornar o herói o sucessor do Homem de Ferro, morto em “Vingadores: Ultimato”.

“Eu controlo a verdade”

Ao longo da trama, em diferentes momentos são feitas menções à mídia. Peter Parker, de forma ingênua, fala que o uso de drones nas ameaças que enfrentou (os Elementais) não deve ser verdade porque os jornais não publicaram nenhuma notícia sobre o assunto. E Mysterio, já festejando (de modo antecipado) o sucesso de seu plano, solta frases como “eu controlo a verdade” ou “as pessoas acreditam em qualquer coisa nos dias de hoje”.

E para coroar a importante “participação especial” das fake news, um tema tão em evidência nos dias de hoje, a primeira cena pós-crédito [SPOILER] traz de volta JJ Jamerson para comentar um vídeo manipulado em que Mysterio acusa o Homem-Aranha de assassinato. Os fãs terão de esperar o próximo filme para saber se essa fake news colou. Ou se uma agência de checagem vai salvar nosso herói…

“Aí sim fomos surpreendidos” (ou tapeados)

O pessoal do Cinema com Rapadura fala mais sobre como as fake news fizeram parte não só do roteiro, mas também da divulgação que antecedeu o lançamento do filme. Trailers oficiais e declarações de executivos da Marvel mexeram com a cabeça dos fãs apontando situações que não estão no filme.

Assista.

Intercept além da #VazaJato

O jornalista Leandro Demori, editor-executivo do The Intercept Brasil, esteve em Florianópolis na última sexta-feira (5) para uma palestra na Universidade Federal de Santa Catarina, como parte das comemorações dos 40 anos do curso de Jornalismo.

E, obviamente, a série de reportagens #VazaJato, sobre a troca de mensagens do juiz Sérgio Moro e procuradores da Lava Jato, dominou as atenções e Demori respondeu inúmeras questões feitas pela plateia, especialmente sobre procedimentos para checagem de informações, decisões editoriais (publicar tudo de uma vez ou em partes, como está sendo feito) e formação de parcerias com outros veículos como Folha e Veja.

Modelo de negócio

Mas o jornalista também falou de mercado e de modelo de negócio. Estive presente e compartilho as seguintes anotações:

  • Para Demori, a Lava Jato virou um produto de mídia do mesmo modo que são o Brasileirão e o UFC, por exemplo. É “notícia grátis” e com alto poder de audiência –  o que para veículos em crise, “juntou a fome com a vontade de comer” (pouco esforço e investimento em reportagem e alto retorno de audiência e receita).
  • Ele também destacou a opção do The Intercept de fazer jornalismo de impacto público, mesmo enfrentando todas as dificuldades que um veículo independente pode enfrentar. Isso reforça a linha editorial e ajuda a ter procedimentos claros de atuação.
  • Ótima frase (especial para jornalistas que partem para o próprio negócio): “Jornalismo independente não quer dizer jornalismo pobre”.
  • Atualmente, o programa de apoiadores do The Intercept conta com 9 mil assinantes e gera uma receita recorrente em torno de R$ 275 mil por mês, que, somada aos recursos da fundação First Look Media, ajuda a manter o funcionamento da redação no Brasil com 18 pessoas.
  • E por fim, em termos de negócio, chamou minha atenção a estratégia de atração de apoiadores. O Intercept, como compartilhou Demori, foca em conteúdo de relevância social e usa automação de marketing, com uso do e-mail, para transformar visitas em doações.

Spoiler

Em breve, você vai ouvir mais opiniões e análises de Leandro Demori sobre jornalismo independente. Aguarde.

Podcasts devem faturar US$ 1 bilhão

De acordo com dados do relatório Global Entertainment & Media Outlook2019-2023 da PwC, a receita publicitária de podcasts no mundo pode ultrapassar US$ 1 bilhão até o final de 2019. E até 2022, ainda segundo a pesquisa, o faturamento dos programas em áudio deve exceder as receitas de circulação de jornais digitais.

A maior confiança nos podcasts e o aumento do público “ouvinte” são fatores que devem levar um número maior de anunciantes a destinar mais verba para atingir uma audiência sempre engajada.

O levantamento da PwC indica também, conforme publicado no Poder 360, que “a expectativa é que, à medida que mais pessoas usem os dispositivos ativados por voz, os podcasts se tornem mais acessíveis, especialmente ao considerar que 58% das pessoas escutam podcasts em casa”.

A íntegra da pesquisa (em inglês).

“Pesquisando sobre o assunto encontrei esse post. Interessante. Vou acompanhar o blog de agora em diante”.

Recado do leitor recém-chegado, Lúcio Trindade. O post ao qual ele se refere é sobre cuidados básicos para a publicação de vídeos. Esse é o segundo de uma série de posts que comecei em maio de 2015 e não levei adiante que tinha o propósito de destacar 7 cuidados básicos quando o assunto é conteúdo digital. O primeiro post fala sobre a importância do título.

Retomo a série? 🤔

Não há limites para uma selfie… 

Mapa Mental é a coluna de notas e insights do Primeiro Digital. Sempre às terças uma nova edição.

Todas as colunas.


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