Mapa Mental 🤔 #12 | O lucro do The Guardian; e mais

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Padrão

por ALEXANDRE GONÇALVES

Nesta edição:

– O lucro do The Guardian
Atenção, coleguinhas!
– Deu no New York Times
– Um clássico para rever
Paywall do NSC Total
Conteúdo estendido da Globo
– Nas ondas do rádio…no Youtube
– Bem-vindo, podcast da UFSC
РDicas sobre comunica̤̣o empresarial


O lucro do The Guardian

O londrino The Guardian chama sempre a atenção pela constante busca de soluções e inovações para o seu modelo de negócio. É sempre bom acompanhar e dar aquela espiada no que os ingleses estão fazendo e conquistando. Agora, por exemplo, o The Guardian virou assunto porque obteve lucro pela primeira vez em 20 anos.

De acordo com o Poder 360, no ano fiscal que vai de abril de 2018 a abril de 2019, a publicação faturou 223 milhões de libras (R$ 1,14 bilhões) e obteve 800 mil libras (R$ 4 milhões) de lucro operacional. O resultado positivo inclui cortes de custos (20% nos últimos três anos) somado a um programa de apoiadores ou membros associados, que saltou de 12 mil em 2016 para 650 mil em 2019 e responde por 55% de todo o faturamento.

Neste modelo de financiamento, o The Guardian opta por não adotar o paywall (modelo de assinatura para acesso ao conteúdo), mas sim por receber pagamentos regulares, mensais ou doação individuais únicas. Ou seja, em vez do “muro”, o jornal pede doações para financiar coberturas especiais.

Os detalhes do modelo do The Guardian você confere no Poder 360.

Quer lucrar também? Mas calma…

Como é referência no jornalismo, o lucro do The Guardian chama a atenção. Mas para quem pensa em replicar o modelo em seu veículo, atenção ao recado que a jornalista, professora e pesquisadora Ana Brambilla postou em seu Linkedin:

Aviso aos coleguinhas: não é porque o Guardian se tornou finalmente lucrativo através de doações, depois de anos fechando no vermelho, que esse modelo de negócio funcionará para todos os veículos, sobretudo no Brasil.

Guardemos as peculiaridades editoriais, das audiências, da concorrência, do momento histórico europeu, da abrangência global, do idioma e as diferentes relações com a informação e com o dinheiro existentes entre o brasileiro e outras nacionalidades. Tomemos o fato com alegria e cautela. E sigamos analisando o cenário em busca de soluções.

Deu no New York Times…

Concordo com o alerta da Ana. Nos dois congressos de jornais da ANJ (Associação Nacional de Jornais) que acompanhei in loco pude sentir um pouco dessa ansiedade por uma fórmula mágica ou receita de sucesso facilmente replicada.

Especialmente na edição de 2012 do evento da ANJ isso ficou evidente por causa da participação de Michael Greenspon, na época gerente geral do Departamento de Serviço de Notícias do New York Times. Ele veio falar sobre o modelo de paywall implantado para jornal, que era a grande novidade do meio e motivo de excitação dos donos de jornais presentes.

Acredito que eles foram seletivos em relação à palestra de Greenspon. Ouviram e guardaram que o paywall estava dando certo e que reduziram custos. Só não ouviram, como registrei no meu antigo blog (Coluna Extra), o executivo do NYT dizer que reestruturaram o negócio (de jornal que publica na internet para uma um serviço de notícias) e preservaram a redação em nome da qualidade do conteúdo.

Disse Michael Greenspon:

“Por meio de pesquisas concluímos que a qualidade do conteúdo jornalístico interessa aos ‘cidadãos do mundo’ e, mais que isso, é um grande negócio.”

Túnel do tempo

Um comercial de 2012 do The Guardian que ajudou a entender o impacto das redes sociais no jornalismo.

Por falar em paywall…

Depois da implantação do signwall, motivo de reações bizarras nas redes sociais, completou um mês no último dia 1º de maio a nova modalidade de assinatura digital do portal NSC Total. Como adiantado pela editora Ingrid dos Santos, em entrevista ao Primeiro Digital, a implantação do modelo de paywall seguiria normalmente mesmo com as críticas ao signwall.

Ao assinar, o leitor passa a ter acesso ilimitado ao conteúdo do portal e dos sites dos jornais do Grupo NSC (Diário Catarinense, Santa, A Notícia e Hora de Santa Catarina). No modelo signwall, apenas com cadastro, o acesso é limitado a sete notícias. Saiba mais no NSC Total.

Conteúdo estendido na Globo

As transmissões esportivas da Rede Globo costuma ser um caso de amor e ódio. Mas, apesar de tratar o futebol como entretenimento, há que se respeitar as tentativas da emissora de tornar as transmissões um produto multiplataforma.

Nem sempre funcionou como aquela ação de pedir vídeos de torcedores para exibição durante o jogo. Horrível, um corte seco na narração e com o risco de ser exibido durante um lance de gol, por exemplo.

Mas agora, ao unir toda a plataforma de esportes, a Globo está dando um drible na própria Globo e sua amarrada grade de programação.

Durante os jogos, os narradores convidam os torcedores para assistem na página dos clubes do GloboEsporte.com as entrevistas coletivas dos técnicos, o que nunca é exibido na TV. Bola dentro.

E o Cartola?

Você gosta das menções ao fantasy game durante as transmissões do Brasileirão?

Eu dispenso.

Nas ondas do rádio…no YouTube

A conferir o uso de rádios do YouTube como webrádio para reproduzir transmissões ao vivo, como está fazendo a Rádio Bandeirantes, de São Paulo. A emissora exibe seus programas de estúdio em seu canal no YouTube. Mas nas jornadas esportivas o player exibe uma imagem na tela enquanto a narração, a mesma do rádio, acontece.

Como vantagem, a equipe usa o bate-papo do YouTube para interação em tempo real com os ouvintes-torcedores. E a julgar pelos números, a iniciativa está sendo bem aceita pelo público da tradicional rádio paulistas. Na transmissão de Palmeiras e Inter, as visualizações passaram dos 115 mil.

Detalhe: a Bandeirantes possui um site e um aplicativo excelentes para ouvir sua programação. Mas está focando na divulgação do canal do YouTube.

Podcast da UFSC

Com muito orgulho fui editor do programa de rádio da Universidade Federal de Santa Catarina entre 1993 e 1994. Veiculado em emissoras de rádio de Florianópolis, Universidade Aberta era produzido por alunos, como eu, do Curso de Jornalismo da UFSC, e trazia notícias, entrevistas e prestação de serviço para a comunidade universitária e geral.

E hoje, com igual orgulho, vejo a UFSC anunciar a criação do seu podcast, o UFSC Ciência, produzido por sua assessoria de comunicação para divulgação das diversas atividades de ensino, pesquisa e extensão da instituição.

Ótima iniciativa para quem já conhece a qualidade e sabe da importância da UFSC e também para quem se faz de SURDO e propaga mentiras e age contra as universidades públicas.

Os episódios do UFSC Ciência são quinzenais e estão nas plataformas Spotify, iTunes e Soundcloud.

Aperte o play

Andressa Fabris, minha colega de jornalismo na UFSC, é uma das profissionais de comunicação que mais admiro. Empreendedora, dona da AlfaPress, de Criciúma, ela é referência no Sul de Santa Catarina e na entrevista para o programa UManos fala de sua experiência e análise o momento e os desafios da comunicação empresarial, incluindo o uso de canais digitais. Recomendo.

Mapa Mental é a coluna de notas e insights do Primeiro Digital. Sempre às terças, uma nova edição.

Todas as colunas.


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